James Bond foi sempre uma fantasia no imaginário dos leitores e espectadores do mundo todo. Os mais velhos hão de lembrar que 007 virou ícone depois do presidente John F. Kennedy confessar que ele era seu herói favorito. Kennedy, como o 007, não podia ver rabo de saia. Esqueça agora tudo o que viu ou sabe sobre Bond. A abertura dos créditos é a mesma – o tiro disparado e visto do ângulo da vítima, a tela que vira animação e se tinge de vermelho. O que se segue é diferente…
Em CASINO ROYALE, você vai ver a gênese de 007. Houve, com o mesmo título, nos anos 60 – e fora da série oficial -, a paródia dirigida, entre outros, por John Huston e que tinha entre seus roteiristas e atores um certo Woody Allen, engatinhando no cinema. A nova versão volta no tempo e mostra 007 iniciando-se na carreira de agente com licença para matar.
Ele comete um erro. M (Judi Dench) comenta que talvez o tenha promovido cedo demais. E comete outro erro – apaixona-se pela sexy Eva Green. É outra mudança importante da série. Eva não é uma bondgirl, papel que cabe a Caterina Murino. Eva é a primeira bondwoman de toda a série.
E é muita mudança para o público absorver… A primeira bondwoman, um 007 apaixonado e um novo ator: Daniel Craig remete pela primeira vez em mais de 30 anos à crueza e à masculinidade de Sean Connery, o primeiro e definitivo intérprete de Bond. Craig é loiro, e seu rosto retangular é quase feio. Mais musculoso do que alto, tem porte antes de estivador do que de oficial britânico. Bom ator, aposta no minimalismo.
Nenhum Bond apanhou tanto quanto o de Craig. Nunca nas telas 007 dependeu tanto dos próprios punhos. Não há nenhum Q com seus “gadgets” para socorrê-lo. A exigência física do personagem parece uma reação clara às patacoadas virtuais dos filmes mais recentes.
CASINO ROYALE encena a competência habitual de Martin Campbell, o mesmo que revitalizara a série também na estréia de Brosnan em GOLDENEYE (1995). A abertura em preto-e-branco, que revela como Bond se tornou 007, é eletrizante, lembrando o grafismo de SIN CITY (2005) e há ao menos duas perseguições antológicas, sobretudo a que se passa na África. Já o embate decisivo no cassino perde ritmo em excessivas rodadas de carteado. Mas a seqüência final não deixa dúvidas: Daniel Craig veio para ficar.
Spoiler Rating: 88
LBC Rating: ~

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