


Uma co-produção entre Uruguai e Brasil, EL BAÑO DEL PAPA conta uma história real. Em 1988, a pequena e pobre cidade uruguaia de Melo se mobiliza para a inédita visita do papa João Paulo II. Cerca de 50 mil pessoas são aguardadas – inclusive muitos brasileiros.
Trata-se de um evento religioso, claro, mas a população local vê aí a oportunidade de ganhar algum dinheiro ou mesmo (para outros) ficar rica. Assim, barracas serão montadas para se vender de tudo – mas sobretudo comida. Um dos moradores, no entanto, tem outra idéia. Construir um banheiro em frente a sua casa. Aquela multidão toda certamente vai precisar de banheiro durante a visita do Papa.
Simples, sensível e com doses certas de drama e humor. E também comovente, sem deixar de fazer uma crítica social. É irônico, no mínimo, que em sua visita o Papa fale justamente sobre trabalho numa região onde o que menos há é oportunidade de emprego.
Um produção bastante modesta, EL BAÑO DEL PAPA é realmente encantador. Mas é fruto de uma colabração importante para sua existência. A co-produção com o Brasil – assinada pela O2 de Fernando Meirelles, contando com César Charlone, que assina o roteiro e a direção em parceria com Enrique Fernández.
“É um filme sobre o sonho e a vontade de sonhar”, diz Charlone, que se define como um representante da geração de 68 que segue “aferrado ao sonho”.
A exploração da fé, um tema tão caro aos povos latino-americanos desde a época do Descobrimento, permanece inesgotável como fonte de inspiração artística. Pelo viés do bom humor, Fernandez e Charlone fazem precisas observações sociais, políticas e religiosas, cujo significado pode ser resumido pelo simbolismo de uma cena antológica: em sua via crucis, Beto atravessa a multidão de fiéis carregando nos ombros, ao invés da cruz, um vaso sanitário.
Spoiler Rating: 85
LBC Rating: 62
Por Marcos Petrucelli

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