Sergio Leone estreou na direção já com 32 anos ao filmar O COLOSSO DE RODES (IL COLOSSO DI RODI). Na última cena, Dario (Rory Calhoun), o herói, cavalgou com sua companheira em direção a um horizonte tranqüilo. A seqüência se assemelha em muito à que se tornaria um dos planos mais famosos do cinema de Leone e um dos mais “emblemáticos” do gênero western: Em POR UM PUNHADO DE DÓLARES (1964), um novo forasteiro aparece cavalgando em direção ao horizonte e envergando um poncho com motivos greco-romanos. O cowboy solitário era Clint Eastwood, que protagonizaria ainda outros dois filmes da “Trilogia dos Dólares” - POR MAIS ALGUNS DÓLARES (1965) e TRÊS HOMENS EM CONFLITO (1966).
Em TRÊS HOMENS EM CONFLITO, três homens procuravam, em plena guerra de Secessão norte-americana, o mesmo saque: Uma arca cheia de moedas de ouro, roubada por um soldado do exército sulista. Tuco, o Vilão (Eli Wallach), sabe que o saque foi enterrado num cemitério. Blondie, o Bom (Clint Eastwood), sabe o nome inscrito na pedra tumular. Mas ainda há um terceiro homem na “corrida” pela fortuna, Olhos de Anjo, o Mau (Lee Van Cleef).
Numa época em que a ameaça fascista pairava sobre Roma, os gibis, o teatro de marionetes e os filmes de aventura constituíram um verdadeiro refúgio para Sergio Leone. Desde criança sentiu a mão pesada do fascismo de Mussolini. O seu pai, Vincenzo Leone, um conceituado diretor italiano começou como ator sob o pseudônimo de Roberto Roberti e se inscreveu no Partido Fascista pouco depois da subida do Il Duce ao poder em 1922. Todavia, Vincenzo acabaria abandonando o partido para juntar-se ao grupo de oposicionistas, o que nos anos 30, quase o levaria ao exílio.
Nascido em 3 de Janeiro de 1929, Sergio Leone teve uma infância marcada pela constante presença do pai. Todos os domingos, lhe acompanhava às reuniões da Câmara Vermelha, em Aragno. E via agentes da polícia à paisana os seguindo. Com isso, foi obrigado a ver o fascismo como uma espécie de bicho mau, afirmou Leone uma vez. A máquina de sonhos hollywoodiana foi uma verdadeira fuga desse “bicho mau” da ditadura e a dura realidade italiana.
Filho de diretor e atriz, Leone cresceu apaixonado pelo cinema e determinado a trabalhar na sétima arte. Aos 19 anos escreveu seu primeiro roteiro - VIALE GLORIOSO, uma crônica de sua adolescência no bairro de Trastevere, mas o pai tentou afastá-lo da carreira, pedindo que se tornasse advogado.
A passagem de Leone pela faculdade de Direito é, porém, muito curta. Com a emergência da indústria cinematográfica italiana nos anos 40 e a procura do grande estúdio de produção da Cinecittà, nos arredores de Roma, por parte de diretores como Mervyn LeRoy ou Robert Wise, Leone rapidamente encontrou trabalho no cinema.
Começou como assistente de direção em LADRÕES DE BICICLETAS (1948) e QUO VADIS (1951) e, no início dos anos 60, estreou na direção dO COLOSSO DE RODES (1961). É, contudo, pela forma como criou e impôs um novo gênero - o faroeste spaghetti - que Leone mais se notabilizou…
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