MARÉ NOSSA HISTÓRIA DE AMOR, de Lúcia Murat, é uma incursão aos filmes musicais, com um toque brasileiro e contemporâneo. É uma espécie de AMOR SUBLIME AMOR tupiniquim com um surpreendente resultado visual e uma hábil manipulação das convenções do gênero. Trata-se de uma alternativa ao cinema “mundo cão” atual. Um sopro de vitalidade que não esconde sua preocupação com o real social que sustenta a trama.

Livre adaptação de “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, o fita trata de Analídia (Cristina Lago), filha de um chefe do tráfico de drogas preso, que briga pelo poder com o irmão de Jonatha (Vinícius D’Black), na favela da Maré. Separados pelo ‘apartheid’ entre as facções rivais, eles encontram no grupo de dança da comunidade, dirigido por Fernanda (Marisa Orth), um refúgio para o amor, a arte, o sonho e a possibilidade de uma vida longe do crime.

Aqui, Lúcia vai buscar na rica galeria de personagens que habitam o imaginário sobre a favela, os elementos para atualização do clássico romance, e os envolve no universo do tráfico, hip-hop e samba, incrustando aí paixões cadentes e ações comunitárias.

Mas essa geléia cultural, social e musical às vezes perde o ritmo, descambando para o lugar comum da crítica social, impulsionado por um roteiro criativo, mas pouco eficaz.

Mesmo assim, MARÉ NOSSA HISTÓRIA DE AMOR, é um projeto ousado e bem resolvido, enquanto linguagem e enquanto temática, na medida que recupera um visual jovem em tom realista que pode ser visto como uma poesia do espetáculo.

Spoiler Rating: 69
LBC Rating: 54

This entry was posted on Tuesday, April 1st, 2008 at 2:36 pm.
Categories: FILMES.

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  1. Só não gostei da comparação com “Amor, Sublime Amor”.

  2. Mauricio

    Não gostou porque vc não gosta de AMOR SUBLIME AMOR, ou porque você não acha que sejam parecidos, Kamila?

  3. Eu acho que porque não acredito que os dois filmes sejam parecidos.

Reply to “Maré, Nossa História de Amor”


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