Marisa Orth é uma das atrizes mais participativas do cinema da retomada. Paulista, formada em Psicologia, estreou na tela grande com o curta A MULHER FATAL ENCONTRA O HOMEM IDEAL (1987), de Carla Camurati. A visibilidade maior viria em 1991, com NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO AGORA (1991), de Mauro Farias, seguido de CAPITALISMO SELVAGEM (1993/André Klotzel), BOLEIROS – ERA UMA VEZ O FUTEBOL (1998/Ugo Giorgetti), POR TRÁS DO PANO (1999/Luiz Villaça), DURVAL DISCOS (2002/Anna Muylaert), OS NORMAIS (2003/José Alvarenga Junior), COMO FAZER UM FILME DE AMOR (2004/José Roberto Torero), e GATÃO DE MEIA IDADE (2006/Antonio Carlos da Fontoura), entre outros. Com a diretora Lúcia Murat, foi protagonista em DOCES PODERES, (1996) como a jornalista Bia em questionamentos éticos profissionais. Vocalista das bandas ‘Luni’ e ‘Vexame’, Marisa estudou balé por mais de dez anos. Seu maior sucesso no teatro foi A MEGERA DOMADA (2001), que também produziu. Na TV, marcou época como Nicinha, da novela “Rainha da Sucata”, e Magda Antibes (1997), de “Sai de Baixo”. Mais conhecida por seus trabalhos em textos cômicos, Marisa Orth é Fernanda, uma personagem densa e dramática no novo filme de Lúcia Murat, que coordena um grupo de dança na Maré e ela concedeu uma entrevista à Spoiler sobre o filme:

SPOILER: Este é seu segundo trabalho em longa-metragem com a Lúcia Murat. O que acrescenta?
Marisa Orth: Já ter trabalhado com a Lúcia foi muito bom. Confio muito nela, gosto dos resultados que ela encontra. Em ‘Doces Poderes’ (1997), o orçamento era ainda mais apertado. Ganhamos dez vezes menos do que merecíamos. E ficou lindo! É um filme do qual me orgulho muito de ter feito. Agora, ela me deu a chance de fazer um papel dramático. Na verdade, a história na qual o filme se inspira, ‘Romeu e Julieta’, é uma tragédia. Longe de mim ter algo contra a comédia. Mas sou uma atriz, e depois da Magda, que adorei fazer, virei linha de show. É bom diversificar. Ter um leque maior de apostas. Ainda mais com um tema totalmente atual e uma concepção inovadora, como a de um musical.

SPOILER: Qual a importância do papel?
Orth: A Fernanda não é só um ser político, é poética, idealista, é uma heroína. Seu grande dilema é equacionar o sonho à realidade que encontra, que é dura. Ela quer unir uma comunidade dividida, um casal. Tenta se desvencilhar da subserviência aos poderes do tráfico, dos tiros, da violência e seguir com a sua dança. Sem ser panfletária. O Brasil vive um estado de urgência. Foi bom conhecer as pessoas, as comunidades. Ver de mais perto essa realidade.

SPOILER: Quais os maiores desafios de fazer um musical?
Orth: Contracenava quase o tempo todo com os 32 bailarinos e isso era uma dificuldade, uma pauleira. Fiz balé por 10 anos. No filme, canto rap, ‘Ciranda, cirandinha’… e danço, mas dou mais é pinta. O importante é que pareço uma super professora de dança. Porque é duro falar que danço perto desses caras. Nunca subi parede. Eles fazem quase acrobacia, têm um trabalho corporal fantástico. Esses meninos do filme são resultado de um milagre. São super-talentosos, dedicados, e foram achados pela Lúcia nos testes. Meio impossível estatisticamente achar que numa mesma comunidade ia ter toda essa gente boa. Eles são a nata mesmo. Participei da preparação deles e a coisa mais bonita foi vê-los acertando no set. Trabalhando com não-atores acabei revisitando a arte dramática. Porque muitas vezes tinha que ir lá na origem. Foi muito ilustrativo fazer o filme. Descobri que o hip-hop tem várias vertentes. A cada dia percebia mais as diferenças.

SPOILER: A arte transforma mesmo como o filme propõe?
Orth: Claro. O ser humano tem necessidade de viajar, de alterar seus estados de consciência. Essa coisa mesmo Arnaldo Antunes: “Você tem fome de quê?” O tráfico e as igrejas ocupam essa lacuna deixada pela cultura, tentam dar uma transcendência química, espiritual…. E no filme a cultura tem uma função social muito clara.

This entry was posted on Tuesday, April 1st, 2008 at 13:59.
Categories: ARTIGOS.

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  1. Gosto muito da Marisa Orth, especialmente de seu trabalho na área de comédia. Como ela tinha o trabalho com uma banda, acho que ela não sentiu muito a experiência de fazer um musical, apesar de ter dito, na entrevista, que foi uma pauleira. :-)

Reply to “Marisa Orth: Uma comediante que dança, canta e fala sério”


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