Charlton Heston foi Cardeal Richelieu e Buffalo Bill, aviador, detetive, cowboy, El Cid, magnata do petróleo e comandante de nave espacial. Mas todos o recordam como Moisés e Ben-Hur, a dividir o Mar Vermelho e a lutar em cima de uma biga. Conhecido pelos papéis “bigger than life”, aqueles que marcaram mesmo a História do Cinema, era também um homem controverso que expunha em público a sua homofobia e defendia os “bons valores americanos” e o direito ao uso de armas de fogo. Dissesse o que dissesse, Charlton Heston continuava a ser uma estrela “à antiga”. Que se apagou este sábado, na sua casa de Beverly Hills, com 83 anos e uma vida “bem vivida”, como costumava dizer.

O porta-voz da família não revelou a causa da morte, mas Charlton Heston, que já tinha levado a melhor sobre um câncer na próstata e admitido problemas de alcoolismo, anunciou em 2002 que lhe tinham diagnosticado sintomas de Alzheimer.

Conhecido pelas feições “de granito” e voz profunda, John Charles Carter - que assinava Charlton como o apelido de solteira da mãe e Heston como o apelido do padrasto - nasceu a 5 de Abril de 1924, em Evanston, cidadezinha americana do Illinois. E participou em mais de cem filmes e séries televisivas ao longo de seis décadas de carreira.

Casado com a atriz Lydia Clarke desde 1944, que fora sua colega nas aulas de arte dramática da Northwerstern University, Charlton Heston teve um começo pouco auspicioso nos palcos e foi mesmo obrigado a equilibrar as finanças posando como modelo para artistas, até conseguir sair do anonimato com uma produção da Broadway de António e Cleópatra. Por essa altura, já tinha servido na II Guerra Mundial como artilheiro-operador de rádio da Força Aérea (estacionado no Alasca), e protagonizado o filme PEER GYNT (1941). Mas a sua estréia cinematográfica só aconteceria em 1950, com DARK CITY, thriller de William Dieterle em que fazia de jogador de pôquer sem escrúpulos.

Em 1952 passava a ser o dono do circo em O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA, de Cecil B. DeMille. O mesmo diretor que lhe daria, quatro anos mais tarde, um dos papéis da sua vida: Moisés, o profeta que teimou em interpretar descalço em OS DEZ MANDAMENTOS. Avesso a dublês e perfeccionista, também treinou a condução de cavalos para BEN HUR (de William Wyler, 1959), leu centenas de cartas de Miguel Ângelo e aprendeu a pintar e esculpir para AGONIA E ÊXTASE (de Carol Reed, 1965).

Apesar do êxito global destes filmes, e de títulos como PERTO DO FIM ou O PLANETA DOS MACACOS, o favorito de Charlton Heston era O SENHOR DAS ILHAS (1968), um western de Tom Gries. Orson Welles devia-lhe A MARCA DA MALDADE (porque, sendo o protagonista, bateu o pé aos produtores para que Welles o realizasse) e Sam Peckinpah não foi despedido de JURAMENTO DE VINGANÇA porque ele abdicou do salário.

É por isso, pelo Oscar de BEN-HUR e pelos outros 13 prêmios que conquistou, por ter presidido o Screen Actors Guild e o American Film Institute, por ter sido um democrata convertido ao Partido Republicano, partidário de Martin Luther King e dos presidentes Reagan e Bush (pai e filho), pelas armas e pela autobiografia In The Arena (1995) que Charlton Heston também será recordado.

This entry was posted on Monday, April 7th, 2008 at 11:03.
Categories: ARTIGOS.

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  1. Não concordava com muitas das opiniões do Charlton Heston, mas não tenho dúvidas de sua importância para o cinema. Com certeza, uma perda grande para a sétima arte.

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