Uma das histórias em quadrinhos originais da Marvel, HOMEM DE FERRO teve um longo e próspero trajeto desde as primeiras aparições do personagem, em abril de 1963. Criado por Stan Lee, o alter ego do Homem de Ferro, Tony Stark, foi inspirado em parte pela personalidade do ícone americano Howard Hughes. “Hughes era um inventor, aventureiro, multimilionário, galanteador e também um doido”, diz o produtor executivo Stan Lee. Foi o caráter imperfeito do super-herói e seu estilo de vida de playboy que fizeram as HQs do Homem de Ferro virarem a próxima franquia da Marvel e o primeiro filme sob a nova bandeira da empresa, Marvel Studios.
Para a equipe criativa da Marvel, a potencial lista de diretores começou e terminou com Jon Favreau (ZATHURA). “Jon é um ótimo contador de histórias e um competente diretor, com apreciação profunda pela Marvel e pelo personagem Homem de Ferro”, diz Lee. Para Favreau, o convite era irrecusável. “É um emocionante desafio dirigir HOMEM DE FERRO porque esse é o maior personagem do panteão original do universo da Marvel que nunca havia ganhado um filme.”
Mark Fergus & Hawk Ostby (FILHOS DA ESPERANÇA) foram chamados para escreverem o roteiro. Desde o início, os produtores concordaram que o enredo do filme se concentraria na origem do Homem de Ferro. “O nascimento de um herói é algo que agrada bastante o público”, disse Lee à Spoiler. Outra preocupação era atualizar a história original, pois nos quadrinhos Tony Stark era um herói anticomunista capturado durante uma visita ao Vietnã. “A história precisou ser desenvolvida novamente para refletir novas tecnologias e as mudanças nos cenários político, social e econômico do mundo atual”, diz Favreau. “O que Stan Lee escreveu como ficção-científica nos anos 60 atualmente é considerado ciência moderna.”
Robert Downey Jr. Foi escolhido para captar a essência de Tony Stark. “Foi uma escolha levemente atípica”, diz o roteirista Fergus, “mas a Marvel tem uma maneira visionária de formar seus elencos. Quando os atores são anunciados, as pessoas geralmente pensam ‘Que interessante!’ e depois aquilo fica mais interessante ainda. Acaba sendo perfeito, e ninguém consegue imaginar outra pessoa no papel.”
O ator viu a oportunidade de vestir a armadura vermelha e dourada de Stark como a realização de um sonho de infância. “Sempre gostei do Homem de Ferro porque ele mostrava extrema habilidade e inteligência”, diz Downey, para depois acrescentar: “Ele vive em conflito pelos motivos certos e não reconhece seu potencial até começar a viver de acordo com um código moral.”
Com Downey Jr. como protagonista do filme, os produtores focaram a atenção na escolha de atores para outros papéis centrais. O contato de Tony nas Forças Armadas, Rhodey, é interpretado por Terrence Howard (CRASH). “Eu vi seu primeiro trabalho em MULHER NOTA 1000 e o achei hilário, e então, quando ele fez CHAPLIN, percebi que era um gênio”, diz Howard em relação a Downey Jr. Outro aliado de Tony é sua habilidosa secretária-assistente Virginia “Pepper” Potts, papel que ficou a cargo da atriz vencedora do Oscar por SHAKESPEARE APAIXONADO Gwyneth Paltrow.
“Quando ouvi que Robert Downey Jr. seria o Homem de Ferro e que Terrence Howard também estaria no projeto e Jon Favreau era o diretor, eu disse: ‘Estou dentro!’”, conta a atriz. Para interpretar Obadiah Stane, executivo das Indústrias Stark e braço direito de Tony, os produtores pensaram em Jeff Bridges, que aceitou o papel e imediatamente começou a pesquisar sobre o personagem. “Obadiah é um nome interessante, então fiz uma busca no Google e descobri que é o livro mais curto da Bíblia [No Brasil, Obadia ou Abdias]. Ele fala de um acerto final de contas, algo muito presente nessa história.” O ator Shaun Toub interpreta Yinsen, prisioneiro e médico que Tony conhece no cativeiro.
Com o elenco formado, os produtores decidiram que o filme seria rodado em Los Angeles. “Eu queria um visual diferente, então, em vez de fazer o Homem de Ferro voar como tradicionalmente, entre prédios de Nova York, temos o oceano e as montanhas da Costa Oeste no filme”, diz Favreau. E assim a fotografia principal teve início na Califórnia. “Foi bem legal porque ali era a velha fábrica de Howard Hughes”, lembra Favreau. As primeiras seqüências feitas nos estúdios passaram-se no cenário da caverna onde Tony Stark é mantido refém.
Seguindo a idéia do diretor de fazer um filme autêntico, o desenhista de produção J. Michael Riva (A COR PÚRPURA) encarou o desafio de criar um set que lembrasse uma caverna nas montanhas do Afeganistão. “Uma das coisas que descobri em minhas pesquisas de cavernas remotas é o frio que faz dentro delas”, diz Rivas. “Vi uma filmagem do interior de uma caverna em Tora Bora, Afeganistão, em que um talibã está sendo entrevistado e na qual podemos ver o ar frio da respiração dele. Então convenci Jon Favreau que devíamos ‘congelar’ o set”, conta.
Enquanto a produção filmava as cenas da caverna, o quatro vezes vencedor do Oscar Stan Winston (PEIXE GRANDE) e sua equipe de maquiagem e efeitos especiais estavam ocupados em criar as armaduras do Homem de Ferro. “Ao ser contratado para dirigir o filme, segui as ilustrações de Adi Granov da recente série Extremis dos quadrinhos do super-herói”, explica Favreau. “O modelo era o mais fincado em tecnologia, e também o mais dinâmico”.
No filme, a primeira armadura que Tony Stark monta é a Mark I. “Nunca acreditei muito que aquele modelo pudesse ter sido criado em cativeiro, especialmente sob o olhar atento dos seqüestradores”, revela o diretor. “Assim, Meinerding teve a idéia de montar a armadura a partir de materiais que pudessem ter sido tirados de outras armas das Indústrias Stark.”
Com a Mark I finalizando sua estréia no filme nas seqüências da caverna, a produção rumou em direção ao norte para gravar a cena em que o comboio de Tony Stark é atacado por rebeldes. Nela, Downey Jr. corre através de uma rajada de explosões, o que pediu um timing perfeito e muita precisão, orquestrados pelo coordenador de dublês Tommy Harper (MATRIX RELOADED). Quando a produção desceu alguns quilômetros até as dunas de Olancha, o elenco e a equipe precisaram encarar dois dias de ventos de 65 a 95km/h que quase interromperam as filmagens.
Para Favreau, as condições adversas acabaram sendo uma bênção: “Quando tentamos filmar Raza e seus homens procurando partes da armadura Mark I, a ventania era tão forte que não conseguíamos usar nossos equipamentos. Ficamos tentados a desistir de filmar mas, em termos de fotografia, a qualidade visual era tão boa que se você colocasse aquilo num roteiro nunca alcançaria aquelas condições artificialmente. Então colocamos óculos de proteção e cachecóis nos atores e fomos em frente.”
Depois de Olancha, a produção rumou novamente em direção ao sul, dessa vez para a Base Aérea Edwards. Com o exército tendo forte presença no roteiro, os produtores sentiram que a obtenção de uma permissão do DOD (Departamento de Defesa) seria vital e, como parte da concessão dessa autorização, o filme foi acompanhado pelo capitão das Forças Aéreas Americanas Christian Hodge. Uma das tarefas mais importantes de Hodge foi mostrar à Terrence Howard tudo sobre ser um oficial da Força Aérea. “O treinamento realmente me ajudou a conhecer o personagem, mas a parte de que mais gostei foi a oportunidade de voar”, diz Howard. “Treinei nos simuladores de vôo por uma semana, e então voei com os pilotos da Força Aérea americana em F-15s, F-16s e T-38s.” O ator continua: “Voamos a 640 quilômetros por hora em um jato e, quando peguei o controle pela primeira vez, foi uma experiência que nunca esquecerei.”
Em seguida, a produção voltou aos estúdios Playa Vista, onde o desenhista de produção construiu a oficina de Tony, que também serve de garagem para sua exótica coleção de carros, incluindo um antigo Ford do diretor Jon Favreau. “Achei que seria legal colocar meu Ford 1932 no filme como o carro em que Tony está sempre mexendo”, diz Favreau. “Mas aí gravamos uma cena em que o carro precisou ser desmontado. Era peça para tudo quanto é lado e eu pensei: ‘Por que fiz isso? Eles nunca vão conseguir montar isso novamente da forma certa!’”, brinca o diretor. É também na oficina que Tony aprimora a armadura do Homem de Ferro e testa seus diferentes componentes. “Depois de montar a Mark I no cativeiro, Tony usa a mesma tecnologia para desenvolver uma armadura high-tech. O primeiro passo desse processo é construir um par de botas com tecnologia propulsora que permite que o Homem de Ferro voe”, explica o produtor Lee.
Na hora de filmar o vôo na oficina, um equipamento de última geração permitiu aos produtores evitar os tradicionais fios de arame. “Sempre soube que Jon não gosta quando parece que o ator está sendo erguido por fios”, explica o coordenador de dublês Tommy Harper, que com a empresa Zero G encontrou uma solução para o problema. “Bolamos um novo sistema que tem o que chamamos de fio ‘infinito’. Ele passa por duas roldanas em uma barra acima da cabeça de Robert, depois por mais duas roldanas em seus quadris e entra em duas plataformas sob seus pés. Então, enquanto seus pés se mexem, a barra se move acima da cabeça dele, e ele tem liberdade de movimento porque na realidade o que o ergue são os pés e não os quadris ou costas”, explica Harper.
Tony Stark continua a refinar a tecnologia da armadura, que eventualmente resulta na sofisticada Mark III. “Houve um trabalho incrível ao encontrar as proporções certas para a armadura Mark III”, diz Lee. “Na indústria das HQs há o que é chamado de proporções ‘heróicas’, cuja altura varia entre oito e dez cabeças para uma figura humana. Isso fica fantástico em uma revista, mas é algo meio alienígena se traduzido literalmente para o mundo do cinema”, conclui.
Foi responsabilidade do supervisor de efeitos especiais e vencedor do Oscar por GLADIADOR John Nelson trabalhar com a Industrial Light & Magic (ILM) para criar o adversário do Homem de Ferro no filme, Monge de Ferro. “A armadura do Monge de Ferro tem 3 metros de altura e pesa aproximadamente 360 quilos”, diz Nelson. “Nós a desenvolvemos e construímos durante as filmagens e ela foi usada para ajudar a fazer uma ponte entre o personagem e o mundo digital.” Ele acrescenta: “É preciso cinco pessoas para operar o Monge de Ferro. Houve algumas situações em que nós conseguimos usar os dois braços da armadura e movimentá-la como uma marionete para conseguir fazer algumas tomadas.”
Depois que a fotografia principal de HOMEM DE FERRO foi finalizada no Caesars Palace, em Las Vegas, Nevada, a equipe e elenco do filme ficaram com a sensação de que tinham compartilhado uma bela jornada criativa. O diretor Jon Favreau resume o sentimento em suas próprias palavras: “Foi uma dessas oportunidades raras em que a combinação do que todos levaram para a mistura elevou o filme a ponto de exceder minhas melhores expectativas. Foi um ato de equilíbrio incluir na produção uma visão nova, ainda que nos mantendo fiel ao gênero. Sinto que fizemos um filme sólido, que atrairá um público abrangente, assim como os leitores da história em quadrinhos que cresceram com o personagem Homem de Ferro.”
Cortesia Paramount Pictures
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