“A vida ordinária é uma coisa bastante complexa.” Esse é o lema de Harvey Pekar e também é o segredo do sucesso de ANTI-HERÓI AMERICANO.
Sem a pretensão de mergulhar o espectador em uma grande trama, os diretores o aproximam da rotina pacata e aparentemente sem sentido de Pekar, num misto de comédia de situação (aqui tendo Paul Giamatti e Hope Davis no papel de Pekar e sua mulher, Joyce Brabner) e documentário, pontuado pelas aparições azedas do escritor, em estúdio e agora em carne e osso.
Como já sugeria a sua série em quadrinhos “American Splendor”, o filme é uma espécie de “reality show” sobre a vida de um sujeitinho como eu e você (OK, talvez um pouco mais complicado!), às voltas com suas manias de colecionador, suas frustrações amorosas e, sim, sua batalha contra a morte por um câncer linfático.
De uma franqueza por vezes perturbadora, Pekar não quer parecer engraçado. Ainda que seu palavrório rouco e interminável e sua galeria de (poucos) amigos freaks nos façam rir. Tampouco é só mais uma na enxurrada de adaptações de HQs de heróis superpoderosos e bem-sucedidos que nos fazem torcer por eles e encher o bolso dos estúdios de cinema.
Trata-se, enfim, de um filme anguloso, mais complexo do que ordinário, em que ora rimos, ora nos solidarizamos, ora nos sentimos culpados e miseráveis. Assim é a vida. Que, no cinema, tem se mostrado cada vez menos parecida com o jeito como ela é.
Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~

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