O bad boy que aos 22 anos escreveu as histórias de sexo e drogas de KIDS (1995), de Larry Clark, que aos 24 dirigiu GUMMO e dois anos depois JULIEN DONKEY BOY, está vivo. Não se sabia dele há dez anos. Mas Harmony Korine voltou…

Trouxe consigo sósias de Michael Jackson (Diego Luna), Marilyn Monroe (Samantha Morton), Charlie Chaplin (Denis Lavant), Shirley Temple (Esme Creed-Miles)… Há mais: Madonna, Sammy Davis Jr., James Dean, Abe Lincoln, o Papa (James Fox) e até a rainha da Inglaterra (Anita Pallenberg).

São personalidades assombradas por sua própria imagem. Amordaçados por uma aparência que ora é divertida, mas que também pode ser dark. Korine mostra tudo. Sem pudor algum, sem preconceitos ou prognósticos.

E nunca fica claro se tudo isso significa ou deveria significar alguma coisa. A música e o disparate pintam um retrato circular sem começo, meio e fim. É difícil assegurar que MISTER LONELY é, convencionalmente, “um filme”.

É um filme que irrompe em clarões. Mas o resultado é de uma fragilidade tocante: Mostra alguém procurando seu espaço, de forma desarmada, doce. Os “genéricos” são de ir às lágrimas: Michael Jackson numa lambretinha, um brinquedo preso por um fio e uma canção de rasgar o choro, “Mr. Lonely”.

Spoiler Rating: 72
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, April 27th, 2008 at 18:01.
Categories: SPOILERS.

2 Comments, Comment or Ping

  1. Qualquer filme que tenha a Samantha Morton no elenco vale a pena. E ainda que o Diego Luna tenha errado em alguns projetos recentes (principalmente nos americanos), para mim ainda é um ator interessantíssimo. Gostei de conhecer esse filme do qual nunca tinha ouvido falar…

  2. paulo

    É dificil dizer alguma coisa sobre Mister Lonely sem cair na armadilha de algum academicismo, mesmo que seja de cinema. Digo de cinema porque há uma infinidade de subtextos tangenciando e até mergulhando em várias formas de arte, na psicologia, na psicanálise, religião. Encontramos aí, até mesmo a política, se olharmos a comunidade formada pelos imitadores como um núcleo social “anaquista”. Abracei esse filme - não me arrependo - graças a umas poucas, mas ótimas recomendações. Para falar a verdade, foram apenas três, mas todas com nota dez. Assisti e não me arrependi. Acho que Mister lonely está longe de ser uma comédia. É um filme que guarda um profunda melancolia. Fala de pessoas que encarnam a personalidade alheia a fim e eludir a angústia existencial e dar um sentido às suas vidas. Se isso é piada, desculpe, mas não dá para rir. Gostei da plástica desse filme, da sintaxe, do roteiro, dos atores, enfim da originalidade. Não percam. Vale a pena!!!!!!!!!!

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