Na contramão de documentários filmados como ficção, EL ASALTANTE é uma ficção filmada como documentário. É mais um filme argentino que confirma que o cinema argentino continua bem vivo apesar dos holofotes apagados.

O filme de estréia de Pablo Fendrik não só é uma boa surpresa como também a prova irrefutável de que basta um pouco de empenho e inteligência para pegar o que parece ser o lugar-comum do moderno cinema independente e transforma-lo em algo inedito.

No caso, a camera presa ao ombro e a estética de “cinéma-vérité”, usada por Fendrik criam uma cumplicidade com o espectador e uma angústia em progressão. A camera está sempre atrás de um senhor de 60 anos, bem vestido, educado, que entra num colégio privado para matricular o filho, mas se revela um assaltante que ameaça a tesoureira com um revólver e foge com o dinheiro das matrículas.

São sete minutos de um assombroso plano-sequência que instala desde logo um sentido de angústia quase hitchcockiano. O que se segue é uma sucessão de surpresas à medida que o dia do assaltante começa a desintegrar-se, com uma interpretação notável de Arturo Goetz ao longo da curta duração da película. É mais uma prova da inteligência de Fendrik: O filme acaba no ponto exato em que já não há mais nada a dizer.

Spoiler Rating: 80
LBC Rating: ~

This entry was posted on Tuesday, April 29th, 2008 at 12:35.
Categories: SPOILERS.

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