

Praias vazias, casas esventradas, hotéis desertos, lojas fechadas, pessoas apáticas. Podia ser um cenário de pós-guerra, mas no caso é um cenário pós-tsunami, tal como o diretor tailandês Aditya Assarat mostra no seu primeiro filme de ficção, WONDERFUL TOWN, rodado em Takua Pa, na zona de Phuket. O primeiro a ser feito ali após a catástrofe natural de 2004.
A fantasmagórica vila de Takua Pa e os habitantes que lá permaneceram depois do tsunami, parecem viver em animação suspensa, à espera de uma renovação que não chega, de uma nova vida que não se manifesta.
A reconstrução já começou, mas muito lentamente. “Pode chegar à hora que lhe apetecer”, diz o mestre-de-obras de um hotel que veio de Bancoc justamente para supervisionar a construção. O modesto hotel em que está hospedado é tão desolado como o resto da vila. A dona é a jovem Na.
Ambos tornam-se amigos, depois amantes. Mas a vila fica ressentida da relação, e tenta contrariá-la. Primeiro em surdina, depois de forma descarada. Como se não admitisse que alguém pudesse voltar a ser feliz ali. Sobretudo pessoas vindas de fora.
WONDERFUL TOWN é sobre um amor que cresce onde deixou de haver amor, como uma flor na lama. E sobre uma vila que tenta destruir a beleza que não pode voltar a ter.
Ao som de uma música encantatória, quase hipnótica, Aditya Assarat filma ao mesmo tempo, a impressionante desolação física, exterior, da região arrasada pelo tsunami de 2004, e a desolação anímica, interior, das populações que sobreviveram ou escolheram não rumar a Bancoc, ou outras grandes cidades tailandesas, e ficaram a ruminar o seu desespero.
Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~
No Comments, Comment or Ping
Reply to “Wonderful Town”