O que chamou a atenção do cineasta americano Kief Davidson no ex-soldado mirim de Uganda e atual campeão mundial de boxe Kassim “The Dream” Ouma foi o fato dele viver sorrindo.

Davidson ficou fascinado com a maneira como Ouma enfrentou seu passado. Ele foi seqüestrado aos 6 anos de idade, quando estava na escola, pelo exército rebelde de Yoweri Museveni — hoje presidente do Uganda.

Em seu belo documentário KASSIM THE DREAM, Davidson conta a história da primeira viagem que Ouma fez de volta a Uganda desde que fugiu para os EUA, em 1998.

Para fugir da guerra civil que já dura 22 anos e deixou dezenas de milhares de mortos e 2 milhões de deslocados, Ouma, viajou para os EUA aos 19 anos, usando um visto que recebeu para participar de um campeonato militar de boxe. Ele chegou ao país sem ter onde morar e sem falar inglês.

E foi sua fama como boxeador, especialmente depois da muito noticiada luta contra o campeão dos pesos médios Jermain Taylor, que levou o presidente ugandense Yuseveni a lhe conceder um perdão e a possibilidade de voltar a seu país.

O diretor Davidson durante sua Premiere em Tribeca disse: “Kassim tinha medo. Os militares tinham dito que se ele voltasse a pôr os pés em Uganda seria julgado por deserção, e a pena para a deserção é a morte, mas, Ouma viu as câmeras como sua proteção. A equipe de filmagem tinha o apoio de senadores americanos e ONGs que ajudaram o boxeador a receber o perdão presidencial”.

Seu documentário resgata o debate sobre a situação dos soldados mirins e das pessoas que vivem em campos de deslocados, temendo retornar a seus povoados. Ouma, por outro lado, dando um sorriso largo que já virou sua marca registrada, revelou que, depois do boxe, gostaria de atuar em filmes de artes marciais. “Vou ser o Jet Li africano”, disse ele. “Esperem para ver!”.

Spoiler Rating: 81
LBC Rating: ~

Por Kristina Cooke (Reuters)

This entry was posted on Sunday, May 4th, 2008 at 11:43.
Categories: SPOILERS.

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