Hoje em dia, para ser uma superestrela de cinema, um homem tem de usar “collants”. Com algumas honrosas exceções, como Leonardo DiCaprio, que teve a sorte de entrar no filme mais lucrativo de sempre (TITANIC), qualquer ator que ganhe 20 milhões de dólares por filme já fez algum herói mascarado ou coisa parecida, como um pirata ou um agente secreto encarregado de lidar com extraterrestres. Começou com Nicolas Cage que trocou sua credibilidade artística pelos ordenados mais elevados em coisas musculadas produzidas por Jerry Bruckheimer. À Cage, seguiram-se Johnny Depp, Tobey Maguire, Keanu Reeves, Will Smith - a lista de estrelas que trocaram a sua independência pelos megaordenados é interminável.

Agora é a vez de Robert Downey Jr. Hã?

Sim, este ex-drogado e ex-presidiário de 43 anos que já foi indicado ao Oscar renunciou seu título de talento que irá sempre defraudar as expectativas. Vai assumir a fama do Homem de Ferro, mais um na longa lista de heróis do cinema.

Tendo em conta os anos de Downey Jr. como uma presença imprevisível, só de pensar nele, rompendo os céus numa armadura vermelha e dourada soa bastante deprimente para qualquer pessoa com mais de 25 anos, exceto pelo fato de Downey Jr. parecer muito feliz com isso. REALMENTE muito feliz. Aliviado. Até mesmo agradecido. Saiu do ostracismo numa digressão de promoção do HOMEM DE FERRO e está genuinamente entusiasmado. Finalmente, é o cabeça do cartaz - aquele com a cara nos bonecos e nos chaveirinhos.

Apesar de trabalhar em Hollywood desde adolescente, Downey nunca fez parte da máquina de fazer “blockbusters”, nunca foi um tipo de ator em que os executivos dos estúdios vêem cifrões. “Apareço no radar das pessoas de uma forma diferente”, diz.

Mas a vida agora finalmente lhe corre bem. Não está morto. Não consome drogas. Há cinco anos, Downey tinha de pagar o seu próprio seguro para fazer algum filme e agora um estúdio assenta nele uma enorme “franquia”, e as expectativas rebentam com a escala. Como Tony Stark, um charmoso magnata do armamento que se transforma em super-herói, Downey encarna uma personagem que é basicamente uma versão “light” da sua própria “persona” - um homem ambicioso e indulgente que acorda aos 40 e decide começar a praticar o bem.

No filme, Stark é capturado pela guerrilha no Afeganistão, vê que as armas que ele tinha andado a fabricar faziam mais mal do que bem e desenvolve uma armadura “high-tech” que lhe permite voar, disparar fogo e fugir do seu cativeiro, uma caverna. É a história de um começo, feita como se fosse uma saga da crise de meia-idade. Hmmm. A arte imita a vida?

O regresso de Downey anuncia-se como uma tempestade - dizem que ele dá espetáculo na comédia que vai estrear no fim do Verão TROPIC THUNDER, como um ator australiano vencedor do Oscar, chamado Kirk Lazarus que faz uma operação em Singapura para escurecer a pele e ser mais convincente como um soldado negro num épico sobre o Vietnã.

E ele mesmo tem pedigree para seu próprio Oscar no final do ano. Ainda na semana passada, encerrou as filmagens de THE SOLOIST, em que é Steve Lopez, jornalista do “Los Angeles Times”, numa história sobre a relação de Lopez com um sem-teto esquizofrênico que é musicalmente dotado, um papel interpretado por Jamie Foxx.

O sóbrio renascimento de Downey em Hollywood está bem longe do tipo que, em tempos, foi preso por conduzir o seu Porsche na Sunset Boulevard nu, enquanto enxotava ratos imaginários pela janela. Ou o rapaz que se fez de “Goldilocks” ao entrar na casa de um vizinho e adormecer numa cama de criança, sendo depois despertado por paramédicos. Os anos 1996 a 2000 passaram como um “flash” pelas várias vezes em que foi preso por porte de droga. Reapareceu na televisão, como um advogado em “Ally McBeal”, ganhou um Globo de Ouro e foi despedido logo depois por posse de cocaína e meta-anfetaminas.

Depois de um ano em desintoxicação, começou a reconstruir a sua carreira, com KISS KISS BANG BANG, BOA NOITE E BOA SORTE e A PELE. Ainda assim, ninguém pensava nele como um potencial monstro de bilheteiras. Mas agora ele pode saborear todos os segundos do seu desabrochar tardio, não apenas o trabalho, mas o espalhafato, os autógrafos, a máquina da fama que há tempos ameaçou-lhe destruir a alma.

This entry was posted on Tuesday, May 13th, 2008 at 16:27.
Categories: ARTIGOS.

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  1. Robert Downey Jr. É o Homem de Ferro. Ele está muito bem no filme e merecia, faz tempo, uma boa oportunidade dessas.

Reply to “Pronto para ser o herói”


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