


SINÉDOQUE, NOVA IORQUE (SYNECDOCHE, NEW YORK), primeiro filme de Charlie Kaufman, traz uma vez mais o universo expressivo do tal “cinema independente americano”, ao qual Kaufman ajudou a dar consistência com seus roteiros (ADAPTAÇÃO, QUERO SER JOHN MALKOVICH, BRILHO ETERNO…) e seu esforço de produtor.
Kaufman enlaça as narrativas cinematográfica e teatral e adiciona elementos de absurdo na monumental produção, com centenas de atores e sets. Há um brilho (superficial) nesse cinema. O cara é engenhoso, não há dúvida. Ele começa com a descrição prosaica da crise familiar e profissional (ou, melhor, artística) enfrentada por um diretor de teatro que está montando A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE, de Arthur Miller. Essa primeira parte é, digamos, realista. A mulher está insatisfeita, ele sofre um acidente doméstico e descobre que algo não vai bem com sua cabeça (mas os médicos não lhe dizem o que é), a filha, uma menina, começa a fazer cocô verde.
Essa tendência segue até o momento em que uma das personagens secundárias compra uma casa em chamas e, a partir daí, o insólito e o surreal vão sendo incorporados ao trabalho. O diretor da peça dentro do filme, interpretado por Philip Seymour Hoffman, recebe uma bolsa para criar um espetáculo com o qual espera revolucionar a arte do século 21.
Esse espetáculo é a sua vida, e a idéia-limite a que ele chega é que existem bilhões de pessoas na Terra e todas são protagonistas da própria vida. Parece inteligente, e até é, mas o problema do cinema de Charlie Kaufman é que ele não tem pathos, o que pode ser o reflexo da sociedade e do cinema atuais, que transformaram em modelo de originalidade e criatividade um cara que muda, de filme para filme, exatamente para repetir o mesmo método de escrita. Era assim como roteirista e está sendo assim, agora, como diretor. Kaufman diz que detesta o cinema de gênero, mas ele próprio virou ‘’seu” gênero.
Spoiler Rating: 80
LBC Rating: ~
Por Luis Carlos Merten (Agência Estado), Silvana Arantes (Agência Folha) & Tatiana Monassa (Contracampo)
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Kamila
Não consigo gostar muito do que o Charlie Kaufman faz….
May 24th, 2008
Vinícius P.
Gosto muito dos trabalhos anteriores do Charlie Kaufman, para mim ele é um excelente roteirista. “Synecdoche” não parece ser uma estréia perfeita, mas fiquei bem curioso.
May 25th, 2008
cristian rodrigues
Como em todos os filmes de kauffman, saí atordoado da sala de cinema e ainda não sei o que dizer do filme. Com certeza trata-se de um filme impactante. Se seguir o mesmo curso dos outros, em breve estarei vertendo lágrimas ao fim deste filme.
Sep 28th, 2008
Aline Bessa
Sou grande fã de Charlie Kaufman e gostei muito deste filme. Mas admito que ele quase não inova em relação a trabalhos anteriores (em termos de roteiro).
O filme mais surpreendente de Charlie Kaufman acaba sendo Brilho Eterno, mesmo: a ‘love story’ dele. Os outros trabalhos, assim como este último, fazem um jogo tenso de metáforas que deixa tudo com um clima excessivamente delirante e SEMPRE me fazem sair tonta do cinema. Bem, eu gosto muito disso.
Oct 14th, 2008
Mauricio S
“Kaufman diz que detesta o cinema de gênero, mas ele próprio virou ‘’seu” gênero”
E não é assim que os gêneros são criados? A partir do trabalho de poucos gênios?
O filme realmente é atordoante.
A peça que Caden está criando é cada vez mais confusa, assim como a vida, quando tentamos encená-la com realismo, quando tentamos contar detalhes de pensamentos e suas repercussões.
Isso se reflete até mesmo no fato de que ele nunca encontra um título adequado: a vida não pára para que se coloque um título decente.
Só Kaufmann sabe fazer isso bem, assim como soube retratar sonhos e memórias, em “Brilho Eterno”.
Algumas falas que buscam explicar a essência da história poderiam, sim, ser limadas, mas isso não estraga a genialidade do roteiro.
Já entrou na minha lista de melhores do ano.
Oct 22nd, 2008
Reply to “Sinédoque, Nova Iorque”