Que seria dos autores de fábulas sem recursos como o que dá mote a AS CRÔNICAS DE NÁRNIA – PRÍNCIPE CASPIAN? No primeiro filme da série baseada nos livros do irlandês C.S. Lewis, os quatro irmãos Pevensie iam parar na terra encantada do título, da qual descobriam ser os soberanos. Nesta continuação, os Pevensie, depois de cumprirem um longo reinado, estão de volta a seu tempo e lugar originais – a Inglaterra da II Guerra. Para eles, apenas um ano se passou; mas, em Nárnia, para onde são reconvocados por um chamado mágico, 1500 anos transcorreram. Seu antigo reino está em ruínas, e seus habitantes foram quase todos dizimados pelo reino vizinho de Telmar. Aí, também, algo vai mal: um nobre usurpou o trono do herdeiro legítimo, o príncipe Caspian, e não vai descansar até tê-lo assassinado.

Caspian é quem chama os irmãos de volta: sem o seu amparo e a influência que eles podem exercer sobre os narnianos remanescentes, ele não tem chance sequer de sobreviver, quanto mais de destronar o ganancioso rei Miraz (o italiano Sergio Castellitto, em grande forma). O truque da discrepância temporal – um ano numa dimensão, dez séculos em outra – faz parte do feijão-com-arroz dos autores de fantasia, e não se pode acusá-lo de originalidade. Mas aqui ele se presta a pelo menos uma vantagem: da mesma forma que os protagonistas, obrigados a olhar de frente os escombros de seu passado glorioso, também o enredo e o estilo cresceram.

A exemplo da franquia Harry Potter, o calcanhar-de-aquiles de Nárnia está no seu elenco principal, que vai crescendo sem manifestar grande talento. Ben Barnes, que interpreta Caspian, é uma presença agradável, embora prejudicada pelas falas genéricas e pelo cabelo com jeito de quem acabou de fazer escova. Mas trata-se de pormenores: agora, a intriga pelo poder é sombria, Telmar e Nárnia têm uma questão de vida ou morte a decidir, e as batalhas são consideravelmente mais violentas (embora livres de sangue). Para o público infantil, responsável pela bilheteria estrondosa do primeiro episódio, esta seqüência parecerá um bocado mais assustadora. Mas também bem mais compensadora. Com sorte, Nárnia há de seguir Harry Potter também em outro caminho, o do amadurecimento criativo – e, quem sabe, chegar ao terceiro filme surpreendendo não só pela boa vontade, mas pela originalidade.

Spoiler Rating: 78
LBC Rating: 57

Por Isabela Boscov (Revista Veja)

This entry was posted on Wednesday, June 4th, 2008 at 1:47.
Categories: FILMES.

6 Comments, Comment or Ping

  1. Concordo que o grande calcanhar de aquiles dos filmes “As Crônicas de Nárnia” é o seu elenco juvenil (com exceção da Georgie Henley). Mas, o grande problema de “Príncipe Caspian”, na minha opinião, é o roteiro, que desenvolve mal os novos personagens, que tira o Aslan de boa parte do filme e que não explica os acontecimentos retratados no final.

    Por isso, acho que “Príncipe Caspian” não é superior à “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”.

  2. Não gosto nada do primeiro e ainda não vi esse…

  3. Luizaa

    vc tem que ter capacidade pra entender o filme , ele ñ dar tudo mastigado pra você!
    na minha o opinião os doois são incomparávelmentees diferentees!
    amoo os doois e a hitória de nárnia e dos meninos!

  4. Eu sou a fã do filme: “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”.
    E parabéns de ter fazido esse filme eu já assistir o filme As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian” 2 vezes

  5. Artur

    Narnia 2 é superior ao primeiro sim!
    Eu amo os filmes ambos…
    Mais o 2 pra mim foi d+!

  6. amei o filme os atores principalmente o william moseley (pedro ) e o ben (caspian) bjao

Reply to “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”


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