Houve um tempo que se acreditava que a televisão podia ser cinema num ponto pequeno. Hitchcock, Renoir, Rossellini, alguns dos maiores cineastas da história, pensavam assim. Hoje estamos na contramão, e é cada vez mais (cineastas e espectadores) que acreditam que o cinema é apenas televisão numa escala maior.

Nem sei porque me sinto surpreendido em dizer que SEX AND THE CITY – O FILME é só televisão, e nada mais que televisão. Um episódio penosamente alongado sem uma ideia, um plano qualquer, que permita confundi-lo com um filme. Admirável honestidade, se vermos a coisa assim: SEX AND THE CITY convida seus fãs as salas de cinema e lhes oferece… mais um episódio sobre quatro mulheres histéricas, confusas, semidesocupadas e eventualmente bem vestidas.

Fato: Uma boa série de TV, sendo uma boa série de TV, é apenas uma série de TV – E aquilo a que chamamos de “cinema” fica distante. É espantoso como o que parecia, no televisor, extremamente sofisticado, se revela paupérrimo na tela grande, cruelmente reveladora de uma sala de cinema.

E o resultado final espanta pela falta de empatia com que o filme olha para esse grupo de mulheres mimadas e desinteressantes, o retrato estereotipado da mulher “moderna” e “urbana”, consumidas por preocupações sentimentais que só se distinguem das leitoras da “AnaMaria” porque estas escreveriam para a “Vogue”.

Em SEX AND THE CITY – O FILME não há vida, não há sangue, não há sinceridade, não há mundo. E é nesse contexto que MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS, de Alain Resnais (que se interessa por séries de televisão e pelo exercício do folhetinesco) é a melhor crítica possível a SEX AND THE CITY – O FILME e a melhor alternativa, enquanto cinema.

Spoiler Rating: 70
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, June 8th, 2008 at 16:46.
Categories: FILMES.

2 Comments, Comment or Ping

  1. Não acho que o filme “Sex and the City” é um episódio prolongado do seriado. É sim uma temporada encurtada em 2 horas e 30 minutos de filme. Tudo é abordado de forma rápida e superficial. No entanto, o carisma das quatro atrizes e das personagens faz com que o filme valha a pena ser visto.

  2. Camila

    Assistia a série e vi o filme. Realmente falta algo…talvez muita coisa no filme!
    A série tem suas características de sacadas rápidas, um toque dinámico e sempre Carrie deixava uma reflexão no ar ao final de cada episódio. O filme coloca desfechos…séries não devem ter desfechos.
    Acho que o longa é só para os fãs.

Reply to “Sex and the City - O Filme”


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