No centro de Manhattam, numa manhã como as outras, se produz um estranho “acontecimento”: As pessoas começam a cometer atos suicidas – Se esfaqueiam a si próprias, se atiram do alto dos edifícios… Em breve, todo Nordeste americano (incluindo Filadélfia, cidade de Shyamalan), estará contaminado. São toxinas, dizem os cientistas, que agem sobre o cérebro bloqueando um setor que inibe a autodefesa dos humanos contra sua integridade física.

É a América sob ataque terrorista? Não! Então voltam os cientistas: As toxinas são naturais, e emitidas pelas árvores e pela vegetação. Assim, o evento (THE HAPPENING, no título original em inglês), de certa forma, reescreve o incidente de 11 de Setembro (O melhor plano do filme, operários em queda livre depois de saltarem dos andaimes onde trabalhavam, rima com algumas das mais impressionantes imagens desse outro acontecimento) e transforma-se num “eco-thriller”, o primeiro “eco-thriller” pós-aquecimento global. As plantas tornaram-se “más”? Não, os humanos é que tanto fizeram que despertaram um sentido de autodefesa que estava adormecido no reino vegetal.

Como quase sempre em Shyamalan, o argumento é melhor que o desenvolvimento, e a angústia das cenas iniciais é o melhor do filme. Mas, como noutras ocasiões (SINAIS), o apocalipse é um contexto para isolar uma história de amor conjugal, a dos personagens de Mark Wahlberg e Zoey Deschanel (remanescentes de Bruce Willis e Sean Wright em CORPO FECHADO), espécie de último par num Éden virado do avesso.

O romance é menos interessante do que o princípio e o final, redondo e místico (marca de Shyamalan), é bastante esquivo. Mas há flashes interessantes: Uns planos da natureza, árvores e vento (como se Shyamalan tivesse andado a ver Griffith e Sjostrom em vez da habitual dieta hitchcocko-spielberguiana), certos silêncios, certos vazios. Estava na hora de Shyamalan começar a filmar roteiros de outros, tão poucos “shyamalanescos” quanto possível. Quem sabe seu talento deixa de ser sufocado pela beatice de sua visão do mundo moralista.

Spoiler Rating: 77
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, June 15th, 2008 at 11:49.
Categories: FILMES.

6 Comments, Comment or Ping

  1. Parece que o Shyamalan decepcionou até mesmo seus fãs com esse filme, mas ainda guardo grandes expectativas pelo fato dele ser um dos meus diretores favoritos - e acho que até agora não errou.

  2. Mauricio

    Vini: Eu considero FIM DOS TEMPOS o melhor filme dele depois de SEXTO SENTIDO. O problema realmente é essa falta de acabamento nos roteiros que deixa a sensação do filme parecer com uma piada de caixinha GLUB GLUB.

  3. Depois de ler as críticas horríveis a este filme, vou assistir “Fim dos Tempos” com expectativa ZERO!

  4. Eu sou super fã de Shy e gosto até dos criticados A Dama na Água e A Vila, agora, me decepcionei com este Fim dos Tempos. Mas ainda é um filme acima da média que entretem, possui varios das virtudes marcantes de Shy mas também grandes vazios sem sentido. Esperava mais…

    A nota seria 60

    Ciao!

  5. David

    Eu gostei do filme. Devo dizer, no entanto que deve ser visto sem pretensão de que será um grande filme. Deve-se iganorar as razões para o acontecimento e mirar na reação das pessoas a ele. É uma crítica forte ao modo de ser americano as cenas que envolvem duas crianças que se juntam ao grupo dos personagens principais, mostrando o clima de desconfiança e individualismo dessa sociedade( a cena no entanto e mal-feita, o que vale é a mensagem). E acho que é essa a razão do filme, um retrato da sociedade frente a eventos fora do comum. A revolta das palntas é apenas um motivo como qualquer outro.

  1. O Hithcock contemporâneo - Jun 15th, 2008

Reply to “Fim dos Tempos”


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