Apenas cinco anos depois do HULK de Ang Lee, eis a criatura verde da Marvel de volta às telas. Talvez Ang Lee fosse “autor” em excesso para que seu HULK, comercialmente mal amado, cumprisse com eficácia a função de locomotiva de bilheteira. Nesse caso, tiro corrigido nesse O INCRÍVEL HULK, que traz ao leme o francês Louis Leterrier, discípulo (?) de Luc Besson. No entanto, seu filme é entretenimento pobre. Têm algumas coisas estranhas - o elenco, por exemplo, esquisita escolha de atores que inclui Edward Norton (sempre em crise), William Hurt (farfalhudo como nunca), Tim Roth (cada vez mais parecido com o corcunda de Notredame) e Liv Tyler (que ainda mal chegou aos 30 anos e já dá impressão de ter usado botox).
Mais que o elenco esquisito, é estranha a co-autoria do roteiro: Edward Norton (sob pseudônimo). Ora se Norton, que nunca ousou brincar de blockbusters, investe assim num projeto tão estranho quanto suas “opções de carreira”, podemos supor que haja aqui alguma coisa pessoal.
Não é uma suposição errônea. Norton, uma das mais interessantes figuras do atual cinema americano, é alguém com quem se pode fazer “política de atores”. O seu Bruce Banner tem várias características de outras personagens suas - o lado punitivo como um sofrimento que assente na privação e na renúncia, mas também a duplicidade e a ambivalência (Banner/Hulk são Jekyll e Hyde) e uma espécie de contato com zonas nebulosas da ética e moral, que por sua vez propiciam o sacrifício como caminho da redenção individual. É a história deste Banner, que encontramos ao princípio numa favela do Rio de Janeiro, escondido, é certo, mas também em autopunição.
Como em todos os heróis da Marvel, sobre Banner/Hulk pesa a tentação do fascismo, ou ao menos, de um uso fascista do seu poder (é normalmente o que separa os heróis dos vilões). É quase como se Banner expiasse essa tentação durante a primeira meia-hora do filme, a mais interessante, e a expiasse junto dos pobres: Nas favelas do Rio, na Guatemala, em Chiapas (no México). Nesta lógica, não surpreende que o momento em que Banner, finalmente, aceita seu poder, corresponda ainda a um sacrifício, a uma reparação e a uma entrega (Assim encontrando outra característica sumamente “Marveliana”, o fatalismo).
Parece delírio, mas o filme não dá muita margem para delirar além disso. E se a presença de Norton oferece alguma intensidade ao personagem de Banner, nem por isso torna o filme melhor do que é: Um empreendimento rotineiro, com todos os tiques habituais do espetáculo, e um clímax (mais um combate entre duas criaturas de existência puramente digital) bastante maçante.
Spoiler Rating: 56
LBC Rating: ~

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Kamila
Olha, eu sou suspeita para falar de qualquer filme com Edward Norton porque ele é meu ator favorito. Mas, eu adorei “O Incrível Hulk”. Achei a obra superior ao filme do Ang Lee e até mesmo à “Homem de Ferro”. Uma pena foi o WGA não permitir o nome do Edward como co-roteirista do filme…
Jun 15th, 2008
Reply to “O Incrível Hulk”