Quando os diretores John Stevenson e Mark Osborne foram apresentados a um enredo atípico sobre um panda que deseja ser um lutador de kung fu, eles logo se animaram. E, vendo que a história iria tanto entreter quanto passar uma bela mensagem, buscaram criar uma espécie de fábula com KUNG FU PANDA.

“Desejávamos fazer algo diferente com esse filme”, contam os diretores, “para que se destacasse de outras animações mais recentes. Adoramos muitos desses trabalhos, mas queríamos quebrar o que havia se tornado uma tendência e fazer algo mais atemporal.” O filme passaria anos em desenvolvimento, resultando em uma abundância de material e em um convite aos talentosos roteiristas Jonathan Aibel e Glenn Berger. “A gente entrou no projeto para ficar apenas uma semana como consultores da história, ajudando a dar forma a ela”, explica Aibel. “Que cenas são necessárias? Elas estão na ordem certa? Como podemos focar na história? Então, demos uma olhada no que eles já tinham e sugerimos algumas coisas. Aquela semana tornou-se um mês, e o mês tornou-se três meses, que acabaram se transformando em mais 19 meses – nos envolvemos muito com o processo.”

O ritmo da trajetória de criação do filme acelerou quando o chefe de animação de personagens Dan Wagner (SPIRIT – O CORCEL INDOMÁVEL) pegou alguns trechos de falas do ator Jack Black e os uniu a uma animação de Po. O casamento foi um sucesso sem igual. Para Jack Black, dublar um panda louco por kung fu não era algo estranho: “Sempre fui fascinado por kung fu. Os graciosos movimentos de um mestre das artes marciais são algo a se contemplar. Então, quando Jeffrey [Katzenberg] perguntou se eu estaria interessado em fazer a voz do personagem Po em KUNG FU PANDA, achei a oferta muito tentadora. Na minha infância, fiz aulas de caratê e judô. Era divertido e bom para meus músculos. Cheguei a ganhar um troféu em um torneio de judô… mas preciso confessar que eu estava 9 quilos acima do permitido na competição.” O ator acrescenta: “Po me faz lembrar de mim mesmo quando criança – ele é um sonhador inocente e gorducho em uma missão para encontrar um destino.”

Na hora de escolher o ator que faria a voz do mestre de kung fu Shifu, os produtores abordaram um dos maiores intérpretes do cinema, o duas vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator por RAIN MAN e KRAMER VS. KRAMER Dustin Hoffman. O ator considera que seu trabalho foi facilitado pela direção que recebeu de Osborne e Stevenson, que tinham uma visão bem clara de quem era Shifu. “Eles me prometeram logo no início que qualquer coisa que eu não gostasse poderia ser refeita – algo que não acontece na maioria dos filmes”, diz o ator. Mais tarde, quando os diretores mostraram a Hoffman a versão não editada, o ator os lembrou da promessa, mas suas observações foram mínimas. “Fiquei impressionado em ver como eles mantiveram o personagem na linha o tempo todo”, diz.

Mostrando a reverência do filme ao kung fu, o grupo de lutadores “Cinco Furiosos” foi formado a partir de encarnações de cinco verdadeiros estilos de lutas marciais, gerando os personagens Tigresa, Macaco, Víbora, Garça e Louva-Deus. A atriz escolhida para interpretar a personagem Tigresa – Angelina Jolie - conta a impressão que teve sobre KUNG FU PANDA: “Esse filme me pareceu especialmente interessante porque foi um tipo de retorno aos clássicos. É como contar uma história tradicional para as crianças, não há muitas referências modernas. Há belas mensagens e personagens muito divertidos.” Jolie, mãe de duas crianças asiáticas, também se animou com o cenário do filme, a China.

Para dublar o personagem Mestre Macaco, a produção convidou uma estrela internacional de filmes de ação: Jackie Chan. “Sou igual ao mestre Macaco. Acho que os roteiristas e animadores observaram meus movimentos, personagens, tudo! Parece que me imitaram, o que é bem legal. Macaco é acrobático, brincalhão e confunde os inimigos com facilidade”, diz Chang.

Já a atriz Lucy Liu foi escolhida para fazer a voz de Víbora. “Quando visitei o projeto, me mostraram um quarto cheio de incríveis imagens animadas. E eles tinham uma versão de computador do que pensavam para os diferentes personagens, incluindo Víbora. Tudo parecia incrivelmente rico e belo. Eles falaram da história, e eu adorei a idéia de um ingênuo ter algo que nem sabe que tem – grande potencial. Era empolgante fazer parte de um projeto assim e retratar essa personagem. E aí vi as ilustrações de Víbora, com duas lindas flores de lótus na cabeça. Eles não tiveram muito trabalho para me convencer, sabe?”, ela brinca.

Para o papel de Garça, a produção convidou David Cross. “Atores geralmente falam de como enxergam a si mesmos nos personagens, mas preciso ser franco, nunca me vi como um pássaro de pernas finas. Uma águia, talvez, ou até mesmo um avestruz, mas nunca uma garça. E, só para deixar claro, tenho belas pernas. Tendo dito isso, preciso admitir que a voz do Garça é claramente similar à minha”, ri Cross.

Seth Rogen também brinca em relação a seu personagem, Louva-Deus: “Quando me ligaram, pensei: ‘perfeito’. Sempre quis interpretar um louva-a-deus, então considerei a ligação uma grande coincidência. Eu estava literalmente dizendo a alguém naquele dia: ‘Sabe, nunca fiz o papel de um louva-a-deus.’ E aí o telefone tocou, e acho que foi o destino”, diz o ator.

Mas o que seria da história sem um antagonista? Tai Lung é um perigoso adversário, dublado pelo ator Ian McShane. “Sempre gostei de interpretar personagens repletos de contradições, como Tai Lung – ele não é bem um vilão. É um personagem complexo e tem uma aparência física muito boa no filme.” O Comandante Vachir, guarda da cadeia em que Tai Lung é mantido prisioneiro, recebeu a voz de Michael Clarke Duncan: “O Comandante é um rinoceronte”, explica o ator. “Ombros largos, grandão, musculoso, pode provavelmente levantar pelo menos duas toneladas, e não teme ninguém, a não ser Tai Lung.”

Logo no início do projeto, os diretores e produtores de KUNG FU PANDA optaram por filmar em CinemaScope, um formato de wide-screen. “Todo filme de kung fu que eu vi quando era mais novo vinha em ‘Scope’ porque é um formato perfeito para captar a grandiosidade e dinâmica da ação”, diz Stevenson. Para construir o visual do filme, o desenhista de produção Raymond Zibach e o diretor de arte Tang Heng (O ESPANTA TUBARÕES; O CAMINHO PARA EL DORADO; O PRÍNCIPE DO EGITO) começaram a fazer pesquisas logo no início do processo. Era essencial que as imagens fossem inspiradas na arte, paisagem e arquitetura chinesas, e que fossem, à sua maneira, fiéis à cultura do país. Zibach ficou encarregado de cuidar das locações e cores do filme, e também do visual dos personagens.

Para isso, ele iniciou designs exploratórios em torno de cinco anos atrás e trabalhou ao lado do desenhista de personagens Nicolas Marlet (MADAGASCAR; MONSTROS S.A.). A criação de Po e de uma legião de belamente desenhados personagens foi para Marlet uma história de reconhecimento. Geralmente, os personagens passam por inúmeras versões até se encaixarem perfeitamente em seu mundo. Com Po, Shifu, Tai Lung e os Cinco Furiosos, os desenhos iniciais de Marlet não foram alterados desde quando criados – o que é visto na tela é o que ele desenhou originalmente.

Em relação às paisagens do filme, a equipe de arte adotou a arquitetura clássica dos palácios e templos chineses, e as locações externas foram bastante influenciadas pelo visual do Vale do Rio do Li e a cidade de Guilin. Zibach explica: “Queríamos pegar as montanhas, que são muito bonitas, arredondadas e verdes do Vale do Rio do Li e aumentá-las. Tang Heng, nosso diretor de arte, ampliou essa idéia a uma grande escala. Além disso, queríamos manter tudo bem arredondado nas cenas em que os aldeões aparecem. Então, todos os aldeões e suas formas são altamente baseados em círculos – algo que cria uma sensação boa, agradável e feliz.

Quando a ação fica mais perigosa, tudo ganha uma forma mais pontuda e angular.” Cores importantes para a cultura chinesa também foram incorporadas – ouro simboliza o imperador e vermelho, boa sorte. Esses acabaram sendo os dois tons principais usados no filme. O Vale, é claro, recebeu muito verde (cor que simboliza o bem), e o mundo de Tai Lung é repleto de azul (uma cor fria, já que ele é, afinal de contas, um leopardo da neve). Heng e sua equipe também consultaram Xiaoping Wei em relação à cultura e arquitetura chinesas. Além de artista da DreamWorks, Wei é um dos principais experts de Hollywood no que se refere à China. Desenhos iniciais que traziam designs asiáticos fora do visual tradicional chinês foram questionados – e substituídos.

Mas, como criar movimentos originais de kung fu a serem executados por animais? A produção começou aprendendo o máximo que podia sobre a luta e – além de maratonas de filmes de kung fu – convidaram o instrutor de wushu Eric Chen para dar uma aula. O resultado? Um dia de treinamento de kung fu e muitos corpos doloridos.

A equipe e elenco de KUNG FU PANDA acreditam que a jornada de Po também agradará ao público. O ator Jack Black resume a expectativa: “Po é como um garoto. Então, acho que a garotada vai se identificar com sua jornada – ele quer ser um mestre de kung fu e está em uma missão para conseguir isso. Acredito que o público absorverá essa idéia e, seja no que for, encontrará inspiração para suas próprias jornadas. Pode ter soado como tolice eu querer ser ator, não é a profissão mais segura de se buscar. Mas é preciso seguir o coração, fazer o que se deseja, o que se adora fazer. É preciso coragem para ser seu próprio herói.”

This entry was posted on Tuesday, July 8th, 2008 at 8:00.
Categories: MAKING OF.

2 Comments, Comment or Ping

  1. “Kung Fu Panda” é um dos melhores filmes de animação produzidos pela Dreamworks. Ao mesmo tempo em que mantém a marca do estúdio (o fator entretenimento) e se apóia num personagem principal cheio de carisma, o longa mostra uma competência nas cenas de lutas.

  2. Deve ser divertidíssimo. Tomara que o DVD venha com todas essas informações em forma de making-of.

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