Um bom elenco e um delicado ponto de partida não necessariamente resultam em programa acima da média. É o que acontece com o segundo longa-metragem do húngaro Lajos Koltai, de longa incursão no cinema como diretor de fotografia.
AO ENTARDECER começa como um drama promissor. À beira da morte, Ann (Vanessa Redgrave) atravessa um período de delírios, para surpresa de suas filhas (Toni Collette e Natasha Richardson). Nos momentos de lucidez, rememora como se apaixonou, nos anos 50, pelo galante Harris Arden (Patrick Wilson), durante os preparativos do casamento de sua melhor amiga. Ann (na juventude vivida por Claire Danes) também relembra uma trágica passagem daquela época envolvendo o emocionalmente instável Buddy (Hugh Dancy).
O tom é o do ”cinema de qualidade”, que fez época com a Miramax (o protótipo, aqui, é o oscarizado O PACIENTE INGLÊS). Grandes atrizes (Vanessa Redgrave, Meryl Streep e Glenn Close) contracenando com jovens, temática de prestígio (reavaliação da vida na iminência da morte), fotografia dourada, violinos, uma adaptação literária - enfim, tudo para receber o selo artístico que o distingue de obras puramente comerciais.
No entanto, o tom frio simplesmente não emociona e o diretor, infelizmente, não consegue extrair interpretações convincentes das boas atrizes em cena. Nenhuma delas atinge aquele momento de graça que obtiveram tantas vezes em outros filmes. A não ser, sejamos justos, perto do final, quando Meryl Streep, no papel de Lila (vivida, na juventude, por sua filha, Mammie Gummer), vai visitar sua amiga moribunda. E, na saída, consola uma das filhas de Ann. Há aí um momento de puro humanismo, de encontro entre humanos que transcende a trivialidade vista em outras. Se você pensar bem, as falas ditas por Meryl nem são tão profundas assim. Mas a atriz tem o timing e a arte de fazê-las soar como se fossem puro Shakespeare. E é isso exatamente o que importa. Mas essa passagem é mais uma exceção que a regra.
Spoiler Rating: 74
LBC Rating: ~
Por Luiz Zanin Oricchio, Angélica Bito & Isabela Boscov
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Kamila
Sei que “Ao Entardecer” obteve péssimas críticas, nos Estados Unidos, mas eu tenho me surpreendido com os comentários que tenho lido sobre o filme de colegas cinéfilos. Apesar de apontar os defeitos do filme, essa crítica postada aqui é até animadora. Eu quero muito assistir ao longa, até porque o elenco é maravilhoso e eu sou fã do Michael Cunningham, que fez o roteiro.
Aug 3rd, 2008
Vinícius P.
Não fiquei muito satisfeito com a opinião da crítica a respeito desse “Ao Entardecer” (que de possível candidato ao Oscar passou para um dos grandes fracassos do ano passado), mas ainda assim quero muito ver - especialmente graças ao elenco.
Aug 4th, 2008
Jaime
Só pra rir, eu DESCONCORDO inteiramente da crítica acima… ‘Ao entardecer’ é um filme tocante, lindo, com um movimento perfeito… e conduz o espectador aos fatos deliciados da vida dessas pessoas.. rememorado 50 anos depois por na interpretação magistral de Vanessa Redgrave… esqueça a crítica.. críticos são diretores frustrados, que certamente não teriam capacidade para fazer metade do que assistem.. metade em qualidade, não quantidade….
Oct 19th, 2008
LELLA
O filme é bonito. Cumpriu bem a sua proposta. Eu até fiz um longo texto sobre ele. Mas ele não deixou em mim, a vontade de revê-lo.
Nov 11th, 2008
Reply to “Ao Entardecer”