NOSSA VIDA NÃO CABE NUM OPALA é uma porrada, em vários sentidos do termo. Um filme que bebe na poesia sórdida, contando a história de uma família de pequenos contraventores, que se revezam entre o furto de carros e os ringues de boxe clandestino.

Em sua linguagem, o estreante Reinaldo Pinheiro tenta traduzir o universo cru da peça de Mario Bortoloto retratando um mosaico intenso de emoções boêmias carregado de aura “beatnik”.

Seu filme reflete as relações de poder entre o mais fraco (mais pobre) e o mais forte (mais rico) ao contar a história da morte de “Oswaldão” (Paulo César Pereio), o patriarca da família, e relatar de forma crua como se arranjam às relações entre desejo e obrigação, ou responsabilidade e autenticidade, na vida dos irmãos, agora órfãos de pai.

Apesar de ter uma linguagem muito dramática, quase sempre sem esperança, a película revela um monte de histórias de vida familiar que todo mundo viveu e pode viver. É uma história de amor e ódio, de admiração e conflito de estar à sombra do pai o tempo todo.

Com edição louvável e roteiro inteligente, a produção exibe um panorama de personagens que vivem na profundidade de seus universos e à margem da vida alheia, do outro, criando uma mistura improvável de compaixão e egoísmo em cada cena. O elenco oferece interpretações sensíveis e propositalmente caricatas, talvez como forma de ironizar a “desgraça” que cerca seus mundos.

Com uma fotografia artisticamente densa, NOSSA VIDA NÃO CABE NUM OPALA convence por sua fidelidade em relação aos sentimentos e emoções do texto de Bortolotto. Sincero, eficaz e tocante.

Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~

This entry was posted on Tuesday, August 12th, 2008 at 8:00 am.
Categories: FILMES.

5 Comments, Comment or Ping

  1. O nome deste filme é um barato! E o texto me deixou curiosa para conferir o longa, que parece ser bem interessante.

  2. Confesso que nunca ouvi falar nesse filme, mas a crítica me deixou curioso…

  3. Sofrível! Este é o adjetivo que melhor expressa o roteiro deste filme.

  4. Finalmente, entre os longas nacionais de ficção, o destaque é o inesquecível NOSSA VIDA NÃO CABE NUM OPALA, do diretor paulista Reinaldo Pinheiro. A película, com 104 minutos, conta a história de uma família de ladrões de carros, envolvida numa saga cruel de chantagem e tragédia.

    A grandiosidade de NOSSA VIDA NÃO CABE NUM OPALA é revelada desde o início da projeção, com um áudio admirável e uma trilha sonora contagiante. O roteiro é incisivo, articulado e conciso, com cortes precisos e progressão estonteante. A edição é impecável, em especial pelo modo como utiliza sons e movimentos de câmara para compor as cenas.

    NOSSA VIDA NÃO CABE NUM OPALA traz um bônus especialíssimo que é a participação da eterna e adorável Dercy Gonçalves, roubando a cena, como sempre, com sua verve iluminada e hilária. Além disso, o desempenho de todos os atores é excelente, tanto nos momentos de humor quanto nas seqüências mais dramáticas.

    E NOSSA VIDA NÃO CABE NUM OPALA encanta também pela capacidade de sugerir metáforas, que permitem leituras variadas e podem transmitir uma profunda crítica social, sem abusar de discursos políticos. O enredo é pesado e indigesto. Mostra o indesejável. Mas é um filme memorável. Um clássico como os grandes clássicos.

  5. rodrigo aguiar

    nossa vida não cabe… possui um roteiro e atuações tão bem acabadas que não precisa de artifícios cinematográficos para ser perfeitamente entendido e admirado. a música é boa, o ator principal, leonardo, tem uma atuação que arrepia, principalmente na cena final e no contato com a personagem de maria luisa. a obviedade dos encontros dela com os três irmãos não prejudica o filme. na real, quanto mais conhecemos os personagens, mais desejamos ver o inevitável encontro com essa figura desconexa. grande filme da safra nacional atual.

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