
E não é que as primeiras cenas do Festival de Veneza mostram o mais conhecido cartão postal de São Paulo – a Avenida Paulista? Elas estão no curta-metragem DO VISÍVEL AO INVISÍVEL, de Manoel de Oliveira, que tem o diretor da Mostra de São Paulo, Leon Cakoff, como um dos protagonistas. O outro é o português Ricardo Trepa. Com bom humor e ironia, Leon e Ricardo se encontram em pleno burburinho da Paulista e tentam conversar, mas são a toda hora interrompidos por seus celulares. Manoel, na jovialidade dos seus 100 anos, enfrenta assim, sem angústia aparente, o antigo tema da incomunicabilidade humana, agravado pelas novas tecnologias que, ironicamente, se dizem voltadas à comunicação.
E o que se vê é o turbilhão de movimento e ruído, enquadrados por uma câmara fixa, a Avenida Paulista, São Paulo, Brasil. DO VISÍVEL AO INVISÍVEL é a conribuição de Oliveira para um projeto de longa-metragem da Mostra SP que convidou uma série de cineastas – Guy Maddin, Hector Babenco, Fernando Solanas entre outros. O tema (e nome do longa) é MUNDO INVISÍVEL.
Na coletiva de imprensa, o diretor aos 99 anos foi pessimista ao comentar as razões de ter filmado DO VISÍVEL AO INVISÍVEL: “O futuro é uma incógnita. O passado, um desastre. Daí por diante, quem o sabe?”.
Spoiler Rating: 83
LBC Rating: ~
Por Luiz Zanin Oricchio (Grupo Estado) & Vasco Câmara (Público PT)

No Comments, Comment or Ping
Reply to “Do Visível ao Invisível”