
O cineasta israelense Avi Mograbi resolveu abandonar sua carreira de crítico documentarista para transferir suas armas políticas para o musical e comandar Z32, projeto ovacionado no Festival de Veneza.
O filme relata, em tom de entrevista, as impressões de um soldado israelense depois de matar dois policiais palestinos, com desvios pontuais para a sala do diretor. E a complexidade se mostra presente nessa cenas domésticas, com rostos digitalmente “mascarados” para não serem reconhecidos e ninguém ser vítima de vingança. É um dueto de máscaras mortuárias, o soldado e a namorada, entrevistados.
“Querida, acha que sou um assassino?”
Quem nos conta isto - quem nos canta isto - é o próprio Mograbi, que ao longo de Z32 vai-se sobrepondo em imagens, interferindo no dueto entre o soldado e a namorada. Primeiro com acompanhamento de piano, depois com verdadeira orquestra sinfônica na própria sala. Avi canta a balada do soldado que um dia saiu para matar uns árabes com o tom de coro de uma opereta mortificante, estilo SWEENEY TODD.
Z32 é uma tenaz critica da política israelense nos territórios ocupados. Um relato de tragédia sob forma de farsa ao expor de maneira fria e inteligente o arrependimento de um assassino de guerra.
Spoiler Rating: 91
LBC Rating: ~
Da Agência EFE, Público PT e Rádio RTB
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