

Dois contos de Machado de Assis, “A Causa Secreta” e “Um Esqueleto”, se fundem numa história de humor negro refinado. Em A ERVA DO RATO, o diretor carioca Julio Bressane conjuga alguns dos seus recursos habituais, como a encenação inspirada na pintura clássica e os diálogos quase declamados, para narrar uma obsessão - o que também é um tema habitual.
Na fita de 80 minutos, Selton Mello e Alessandra Negrini formam um casal sem nome. Ele tira fotos dela nua até que um rato aparece para atrapalhar esse delicado equilíbrio. Aqui, Selton assume duas personalidades obsessivas distintas criadas por Machado: Um médico que expõe como relicário o esqueleto da mulher que matou por ciúmes e um homem que tem prazer no sofrimento alheio, seja um rato, seja a própria Negrini.
Ambos se compõem numa ótima interpretação de Selton, que começa a conquistar a jovem pelo cultivo da literatura - Um texto explica, por exemplo, que erva do rato é um veneno usado pelos indígenas - e prossegue com fotografias da jovem nua e em poses sensuais.
Planos longos, declamações literárias, cenas inexplicáveis, cores fortes. Nem é preciso lembrar a reflexão exigente que Bressane pede ao seu espectador. Mas é verdade que há uma condição burlesca da história que pode suavizar esse contato, quase sempre provocador e de grande choque para a platéia.
Spoiler Rating: 81
LBC Rating: ~
Da Agência Estado, UOL & Terra
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Vinícius P.
Muito bom saber que o cinema do Bressane é reconhecido lá fora. Eu mesmo nunca vi nada dele, mas isso se deve à péssima distribuição de seus filmes.
Sep 4th, 2008
Reply to “A Erva do Rato”