
SOLDADO DE PAPEL volta no tempo da União Soviética, e, mais especificamente, a um dos episódios-chave da Guerra Fria, ao lançamento do primeiro homem ao espaço, Iuri Gagarin, com o propósito de mostrar a superioridade do regime comunista sobre seu oponente capitalista. Como se sabe, a corrida espacial foi, muito além do desafio tecnológico, um embate simbólico entre as duas superpotências. O filme toma como personagem não um cosmonauta (astronauta era a designação norte-americana), mas um médico da equipe.
Falado demais, o filme, no entanto, exibe uma estética interessante ao mostrar o caos da estação científica plantada no Cazaquistão, na época uma das repúblicas soviéticas. A paisagem é desoladora, fria, molhada. Os personagens estão sempre falando ao mesmo tempo, tropeçando uns nos outros, ferindo-se.
O espectador, coitado, sente-se massacrado… São planos exasperantes, melancolia tchekoviana pisada e repisada, incontinência de diálogos… O diretor quis passar essa impressão de desordem, de palavrório oco e desencontrado, talvez como forma de mostrar que tudo aquilo não poderia mesmo dar certo. A guerra espacial, talvez a URSS como um todo.
Spoiler Rating: 62
LBC Rating: ~
Da Agência Estado, Público PT & Terra

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