QUANTUM OF SOLACE é o primeiro filme de James Bond de Marc Forster. Ele explica por que o projeto o atraiu. “Para mim, foi uma decisão bem difícil fazer um filme da franquia [Bond], por se tratar de algo tão diferente de tudo o que eu fiz antes. Quando você dirige um longa de Bond, vai fazer um filme dentro de certos parâmetros pré-estabelecidos. Há diversos aspectos num 007 que não podem faltar: Bond, as mulheres, os carrões, a história e milhões de fãs, e isso representava uma oportunidade extraordinária para mim. Eu fiquei empolgado com a chance de encontrar um modo criativo de contar essa história dentro desses parâmetros e sabia que seria um grande desafio. Foi exatamente esse desafio o que mais me atraiu.”
O estrondoso sucesso de CASSINO ROYALE implica num outro desafio, continua Forster. “CASINO ROYALE fez um enorme sucesso, e por causa disso, as pessoas têm expectativas ainda maiores. Eu achava que os primeiros filmes de Bond dos anos 60 (com Sean Connery no papel de Bond e sets criados por Ken Adam) estavam à frente do seu tempo em termos do desenho de produção, das locações e do seu visual, e foi isso o que me serviu de inspiração. Eu percebi que havia espaço para se criar um novo estilo visual para a franquia Bond.” Forster contratou o desenhista de produção premiado com o Oscar, Dennis Gassner, para ajudá-lo a concretizar a visão dele. “Um dos motivos que me levaram a querer trabalhar com Dennis era porque ele criara visuais que nunca haviam sido vistos anteriormente, em filmes como THE TRUMAN SHOW, e em seu trabalho com os irmãos Coen. Todos os seus sets foram criados com uma visão estilística de grande força, o que era essencial ao universo de Bond.”
“O outro grande atrativo foi a oportunidade de trabalhar com Daniel. Ele é um ator muito interessante. Psicologicamente, ele trouxe de volta o realismo aos filmes de Bond. Não é um herói inatingível, ele tem defeitos. Ele possui uma vulnerabilidade e uma complexidade emocional que o tornam humano.”
“Muitos dos meus filmes anteriores apresentam personagens emocionalmente reprimidos. Quando você analisa pessoas que não conseguem exprimir o que sentem, elas são emocionalmente deficientes. Eu me interesso por personagens assim, porque se trata de uma doença comum na humanidade. No final das contas, se você consegue abrir seu coração para o mundo, você se torna uma pessoa mais sensível e consciente. As nossas limitações sempre nos remetem à nossa incapacidade de nos exprimirmos emocionalmente, e Bond é o perfeito exemplo disso. Bond ainda não sabia, de fato, o que era amar até conhecer Vesper [em CASSINO ROYALE] e esse amor lhe foi tirado. Julgando ter sido traído, ele fica um tanto desorientado e se torna incapaz de confiar em qualquer pessoa. Para mim, o tema central de QUANTUM OF SOLACE é a confiança.”
Tendo em seu currículo uma série de filmes elogiados pela crítica movidos por personagens complexos, Forster fala acerca da sua experiência dirigindo uma super-produção de ação. “Pensar em dirigir um filme de ação foi muito mais assustador do que, de fato, dirigi-lo. Nessas produções de ação, você conta com um excelente sistema de apoio e uma equipe com muita experiência no gênero. Planejar e escrever um filme de ação é mais difícil do que filmá-lo. O segredo de um filme de ação está na sua narrativa, porque filmar cenas de ação pela ação em si é desinteressante e não contribui para nada.”
QUANTUM OF SOLACE foi filmado em mais locações exóticas do que qualquer um dos demais filmes Bond nos 46 anos na história da franquia e Marc Forster foi o maior incentivador dessa decisão. “Locações exóticas já são a marca registrada dos filmes de James Bond. Elas são cruciais no sentido de ajudar a transportar o público para um mundo diferente. É difícil encontrar locações para Bond, pois os padrões estão mais altos e o mundo está se tornando cada vez menor. Nós também precisávamos encontrar locações que refletissem o estado psicológico de Bond. Por exemplo, um dos motivos que me fez escolher o deserto foi porque ele representa a solidão e o isolamento – ele representa o estado de espírito de Bond.”
Olga Kurylenko foi escalada para interpretar Camille, uma mulher vulnerável, porém perigosa, determinada a vingar o assassinato de sua família. “Eu procurava alguém que fosse o contraponto feminino de Bond, lutando com questões semelhantes. Olga entendeu os aspectos psicológicos e físicos da personagem. Como nunca havia atuado numa mega produção de ação antes, ela precisou passar por um treinamento rigoroso e realizou ela mesma muitas das cenas arriscadas, o que foi crucial para tornar o filme o mais realista possível.”
O ator francês Mathieu Amalric interpreta Dominic Greene, mas não se trata do estereótipo do vilão Bond. “Mathieu é um ator muito especial, com um jeito retraído e irresistível. Achei que seria bem mais interessante escalar um homem de aparência inocente para viver um personagem que é, de fato, assustador e perigoso. Ao longo de todo o filme, a gente pressente e vislumbra a verdadeira essência do personagem, mas é na seqüência final que a sua verdadeira natureza é revelada, e vemos como ele pode ser maldoso e assustador.”
“Durante o período da guerra fria, o cinema ocidental tinha uma imagem clara do que era o bem ou o mal. Hoje, entretanto, esses limites se confundem. A gente não sabe mais quem são os vilões. Bond poderia ter traços abomináveis. Creio que é importante examinarmos isso. O que realmente significa ser bom ou mau? O que significa matar ou perder alguém? Qual é o impacto psicológico de se tirar a vida de alguém?”
Judi Dench é bem-vinda em seu retorno no papel de ‘M’, a chefe do M16. Segundo Forster, “Judi é uma das maiores atrizes vivas. Trabalhar com alguém do calibre de Judi é uma honra. Ela tem uma presença tão forte que eu quis desenvolver ainda mais a personagem. ‘M’ é a única mulher que Bond não enxerga dentro de um contexto sexual, então, é importante dar aos dois mais tempo juntos. Observando a interação entre eles, descobrimos um lado diferente de Bond e aprendemos mais sobre ambos.”
Forster resume: “O tema central que permeia QUANTUM OF SOLACE é a confiança. A confiança pode assumir inúmeras formas diferentes. Em quem nós realmente confiamos? Você confia em si mesmo? Nós confiamos nos outros? Todas as pessoas têm questões relacionadas à confiança, pois em algum momento na vida, todos nós já fomos traídos.”
Da Acessoria de Imprensa da Columbia Pictures / MGM

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