Mathieu Amalric fala acerca de como o ‘vilão de Bond’ foi modernizado com o seu personagem, Dominic Greene. “O que me agrada no personagem, e me parece uma ótima idéia, é que há um Greene em público e um outro Greene em particular. O cara é tímido em público, não fala alto, não tem muita desenvoltura falando diante de uma platéia, mas, em particular, ele é totalmente diferente. Ele tenta matar Camille, pois acha que ela o está usando para a sua vingança pessoal. Logo de cara, eu perguntei ao diretor se eu podia raspar a cabeça, ou ter uma cicatriz ou um olho que sangra, qualquer coisa que me ajudasse, e ele disse: ‘Não, os seus olhos já serão o suficiente’. Então, eu tive de me perguntar: ‘O que faz de um sujeito um vilão?’ Não pode ser apenas a fantasia de gente louca que quer destruir o mundo, não é isso. Então, o impulso precisa ser psicológico. Se o personagem estiver mais para alguém que está tentando desaparecer, que quer ser invisível, que quer ser quase um papel de parede, isso faz mais sentido, porque é bem mais eficaz assim. Infelizmente, hoje em dia, é bem mais difícil identificarmos quem são os vilões nas nossas vidas, e é exatamente isso o que buscamos.”

“Além disso, eu gosto do fato de Greene ter aversão por sangue. A violência é abstrata e isso também tem a ver com o mundo de hoje, onde se pode fazer tudo por intermédio dos computadores. Desde 007 CASSINO ROYALE (CASINO ROYALE), eles mudaram um pouco a textura dos filmes de Bond, procurando algo que tenha mais relação com os tempos atuais e seja mais representativo do mundo em que vivemos.”

Acerca do trabalho com o diretor, Marc Forster, Amalric observa: “Marc é totalmente sintonizado com a sua visão pessoal do filme e é palpável a alquimia que ele busca. Por exemplo, às vezes, ele gosta de fazer duas tomadas consecutivas sem cortes de câmera, para permitir uma maior entrega dos atores, sem tanto controle. Acho que ele busca captar algo mais na nossa expressão facial ou num momento de ação. Mas, ao final, acho que ele procura um maior realismo. É ótimo trabalhar com Marc porque ele realmente adora os atores. Por exemplo, eu não entendia como era possível eu me tornar um vilão de um filme de James Bond, mas acho que é porque Marc precisa se sentir inspirado pelos seus atores. Ele gosta das pessoas que ele filma, a gente sente isso nos seus filmes anteriores, e eu tenho a certeza de que foi por causa do Marc que eu fui escalado.”

“Trabalhar como ator já é surpreendente para mim, uma vez que durante a maior parte da minha vida, eu dirigi filmes. Eu nunca pensei em me tornar ator, mas há algo de desafiador em se usar seu corpo integralmente. Eu adoro o fato de sentir medo. Ser escalado como vilão de um filme de Bond é, em parte, uma grande piada e, por outro lado, um enorme prazer. Eu não esperava que a minha vida me trouxesse tantas surpresas.”

Na pele do adversário de Bond no filme, Amalric compartilha várias cenas com Daniel Craig, mas para ele, a mais emocionante é a luta entre Greene e o agente 007. “Eu tenho muita sorte, porque, em geral, os vilões nunca lutam. Mas neste filme, eu tenho uma ótima cena de luta com Daniel no final. Greene não sabe lutar, então James Bond fica surpreso, pois não é o tipo de luta clássica para a qual ele foi treinado. Será uma luta entre dois animais.”

Amalric também compartilha várias cenas com a co-protagonista, Olga Kurylenko, e eles desenvolveram juntos seus respectivos personagens. “Eu adoro trabalhar neste filme por se tratar de uma obra em progresso, em que a desenvolvemos à medida em que ensaiamos. Com Olga, há algo tão óbvio entre nós que, para mim, é um prazer. Eu não preciso atuar, só preciso acreditar que tudo aquilo é verdade e nós procuramos o caminho juntos. Como todo bom ator, ela não pode interpretar sozinha. Ela, assim como eu, está muito empolgada por estar aqui e ama o treinamento físico e aprender várias coisas novas, como dirigir um carro à toda velocidade e lutar, habilidades que podem ser muito úteis na vida. Os personagens de Greene e Camille vivem mentindo um para o outro e para todos que os cercam. Precisamos pensar como isso se daria na vida real: mentir tão convincentemente que até você mesmo chegue a acreditar, já que a sua vida depende disso.”

Da Acessoria de Imprensa da Columbia Pictures / MGM

This entry was posted on Wednesday, October 8th, 2008 at 9:09 pm.
Categories: MAKING OF.

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  1. eu quero ver briga de animais

Reply to “Será uma briga entre dois animais”


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