No mais seco e passional James Bond já filmado, QUANTUM OF SOLACE é um ofegante mergulho na ação desenfreada que urge nas variadas seqüências de pancadaria, tiros, golpes a faca, perseguição em carros, aviões e barcos.
Em tradução aproximada, o título significa “mínimo de consolo” e aqui é expresso diretamente na forma como o agente britânico exerce sua licença para matar, vingando a morte de Vesper (Eva Green), a Bond girl de CASSINO ROYALE por quem se apaixonara e por quem foi traído. O resultado é uma história mais focada em espionagem do que “love affairs”. Há pouco romance (embora haja algumas cenas) e a Bond girl Olga Kurylenko passa quase despercebida na fita.
QUANTUM OF SOLACE se passa 40 minutos depois de CASSINO ROYALE e em 6 locações diferentes. É a primeira seqüência da história do espião no cinema (Os outros 21 filmes têm roteiros independentes) e é adrenalina pura. Parte do mérito se deve à competente direção de Marc Foster que divide o crédito com a equipe técnica supervisionada por Dan Bradley e Gary Powell, veteranos da trilogia BOURNE e responsáveis pelas emocionantes cenas que deixam qualquer credibilidade na poeira.
O filme esbanja um certo domínio técnico, um acabamento impecável, envernizado, polido, lapidado. A edição da cena da “Tosca” por exemplo, sincronizando a ópera à música clássica e às perseguições e tiroteios é um toque de mestre. É o triunfo do cinema de arte embalado em fita comercial.
Craig repete uma interpretação marcante que sugere uma certa invencibilidade. Nada o impede ou o detém. Suas ações são meticulosas e precisas. Judi Dench tem boas cenas e Mathieu Amalric, graças aO ESCAFANDRO E A BORBOLETA interpreta a loucura do seu vilão sempre através do olhar penetrante.
QUANTUM OF SOLACE é um filme eficiente no que se propõe: Uma história bem contada sempre no volume máximo e com elenco afiado. Há somente um perigo nessa versão do herói de Ian Fleming. Um assassino tem sempre algo a resgatar nos filmes. Bourne tinha a presunção da inocência e o Bond de Sean Connery tinha uma sagacidade irônica. Já o Bond seco de Craig, está impassível diante de qualquer sentimento. Tornou-se uma máquina de matar, um mero soldado da rainha.
Spoiler Rating: 88
LBC Rating: ~

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Vinícius P.
Espero mesmo que “Quantum of Solace” não decepcione e fiquei mais confiante depois desse texto, parece que a qualidade do primeiro com o Craig permaneceu aqui.
Oct 26th, 2008
Kamila
Bom ver que o filme cumpre seu papel. Espero gostar de “Quantum of Solace” tanto quanto adorei “Cassino Royale”.
Oct 26th, 2008
Gustavo H.R.
Pelo visto, é um filme sem muitas firulas. Em se tratando de Bond, isso pode ser bom ou ruim. Mas veremos…
Nov 1st, 2008
Jorge
é… o filme é legalzinho
Nov 9th, 2008
Gabriel
Sem dúvida é um filme totalmente dependente do anterior. Acredito até que, se o Cassino Royale não tivesse um ótimo roteiro e não fosse tão bem resolvido, esse Quantum of Solace seria um fracasso. O que não acontece. Apesar de não ser nenhum obra-prima, o filme cumpre seu papel de distrair e acompanhar o astro 007(sim o personagem é mais astro do que seu intérprete nesse caso) em mais uma incursão para salvar alguém de algum mal: nesse caso, buscar alguma redenção para sua frustração amorosa. Tecnicamente é muito bom: com efeitos sonoros dosados e cenas de ação e lutas muito bem montadas, colaborando para o lado mais humano que a série vem querendo mostrar nesse dois últimos. Craig apanha mesmo, se suja, se rasga, se detona todo, sangra, cai, levanta, é humano. Só não o é na hora de matar, o que deixa claro a falta de recurso do ator. Frio demais para quem vinga a morte e quer descobrir o porque da traição da pessoa amada. Fotografia bem enquadrada, dentro do enredo, com cores mais fortes quando a emoção se torna mais evidente, sobrepondo-se á falta de recurso dramático de Craig. O vilão funciona, a eterna M também (como sempre, melhorando até a atuação de Craig quando está contracenando com ela) e a trilha é bem discreta (até isso sinaliza para um lado mais real do personagem). Ou seja, um filme bem feito, com bons atores, boa conclusão, do qual se obtém o que se espera. Só me incomoda Craig: não consigo vê-lo como 007. E isso, para quem dá nome à mais longa série de filmes do cinema, é um demérito e tanto.
Nov 22nd, 2008
Rodrigo
Bom filme e ótima crítica, só não concordo com a ênfase à desumanidade do personagem-título. Ele é realmente um assassino frio e preciso, não dá voltas, mas em algumas cenas neste filme (a descoberta da morte da agente do MI6) e no anterior (a última cena, com Vésper nos braços, no telhado do prédio) fica patente a forma intensa de sentir (porém minimalista ao transmitir os sentimentos) deste novo Bond.
Aí é que entra o “fator Craig” da franquia, o melhor ator ao vestir o smoking deste Connery (que fazia até piadas depois de aniquilar os adversários, olhem só).
May 8th, 2009
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