MILK é o primeiro grande filme a contemplar os direitos civis pela perspectiva do movimento gay. O tema, é claro, trata da biografia do político e ativista homossexual de São Francisco, Harvey Milk, interpretado com extraordinária profundidade por Sean Penn. É um filme que extrapola várias definições: É uma biografia, um romance, uma fita de direitos civis, sustentado pelo comentário político e social. Mas transcende qualquer gênero, como documento humano que, antes de mais nada, aborda a necessidade de introduzir esperança às pessoas.

É uma estória que comporta um publico modesto – a comunidade GLS, certamente, e qualquer um que aprecia política ou simplesmente “pensar”. E também é um filme indicado àqueles que gostam de grandes interpretações; Não apenas a de Penn, mas de todo o elenco restante.

A forma como o filme é construído é extraordinária. Ele cobre grande quantidade de tempo, pessoas e espírito sem perder energia ou detalhes. Mesmo a abertura – com cenas de arquivo em P&B de batidas policiais em cabarés gay nas década de 50 e 60, o tipo de assedio que conduziu à rebelião de Stonewall em 1969 – oferece um pequeno lembrete de que a causa GLS é recente.

O foco narrativo é uma gravação em cassete que Milk fez ao completar 48 anos, para ser reproduzida em caso de morte (E ele recebeu várias ameaças). Aqui ele narra a estória de seus 8 anos em São Francisco, como ele se mudou com seu amante, Scott Smith (James franco) e fundou uma loja de revelações fotográficas que tornou-se centro da comunidade gay da região e o levou ao ativismo para torná-lo, enfim, um político.

O diretor Gus Van Sant e o roteirista Dustin Black cobrem grande distancia com um discurso simples: Pessoas decisivas na vida de Milk entregam momentos cruciais; Estratégias políticas emergem de convicções pessoais e a emoção surge a partir dos relacionamentos entre os ativistas. Assim, o filme traz o jovem ativista punk, Cleve Jones (Emile Hirsch); o novo amante de Milk, Jack Lira (Diego Luna); seu gerente de campanha, Anne Kronenberg (Alison Pill); e seu colega e eventual assassino Dan White (Josh Brolin).

Graças ao extraordinário elenco, Van Sant captura em MILK uma completa panóplia de paixões, opiniões e personalidades na gênese do movimento GLS que revolucionou um país e marcou profundamente toda a história de uma geração.

Spoiler Rating: 92
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, November 16th, 2008 at 9:30 am.
Categories: FILMES.

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  1. Adorei o texto, acredito que “Milk” tem tudo para ser um grande filme e proporcionar o reconhecimento que o Gus Van Sant já merece há um bom tempo – entre o público americano, digo.

  2. “Milk” tem recebido críticas excelentes e acho que, por enquanto, é o filme a ser batido no Oscar. Prevejo várias indicações ao longa e espero que, desta vez, a Academia não fique com seus preconceitos bobos!

  3. Eduardo

    Quando de repente escultei em 2006, no oscar, que do nada, CRASH – No limite tinha ganho como melhor filme, ninguém acreditou, era o momento ideal e bem dado, sem ser obrigado, dar o prêmio a BROKEBACK MOUTAIN, foi um erro que não se apagará. Que pode até colocar MILK, para concorrer que nem se compara a bonita histórica humana de pessoas iguais que se amam. Acho que Milk é mais um concorrente. E vamos torcer que o mundo melhore e respeite a todos.

  4. acho que ainda não é desta vez que um filme de temática gay sai da academia com o OSCAR de melhor filme. a melhor oportunidade foi quando o BROKEBACK MOUTAIN concorreu, ali sim ele era o melhor,mais agora com tantos filmes bons concorrendo !!

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