


QUEIME DEPOIS DE LER (BURN AFTER READING) parece um grande divertimento depois do que parece ter sido o extenuante ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ. Acontece que, com os Coen, há sempre alguma coisa a mais. Muito mais. Em aparência, o filme é uma comédia de humor negro em que uma trapalhada leva a outra. Bem visto e pesado, é um comentário tanto ácido quanto irônico da contemporaneidade norte-americana, e sua relação com a herança da Guerra Fria.
No mesmo terreno árido de FARGO (1996), no qual idiotas colocam em andamento engrenagens desconhecidas, sem ter idéia das conseqüências, John Malkovich é Osborne Cox, agente da CIA demitido por alcoolismo crônico. Clooney é um agente federal e Pitt, um personal trainer que trabalha em uma academia. Frances McDormand é gerente dessa academia, e Tilda Swinton, a esposa do ex-agente da CIA. Meio por rancor, meio por tédio, Cox resolve escrever suas memórias e grava o texto em um CD. Sua mulher, que o está traindo, rouba o CD e o esquece na academia. A personagem de McDormand precisa de dinheiro para pagar uma série de cirurgias plásticas que acredita necessitar para sua carreira e assim a coisa vai. As histórias se cruzam, mas não da maneira que se tornou habitual.
A trilha parece saída do ÚLTIMATO BOURNE, música de thriller de ação para fazer contraste flagrante com a idiotice existencialista, a fragilidade, a neurose dos personagens – que na corrida atrás do dinheiro são derrubados pelas barreiras do acaso. Já era assim em ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e GOSTO DE SANGUE.
Há sutilezas no modo como os Coen costuram seus comentários sobre temas como a obsolescência de uma agência de inteligência, a obsessão moderna pelo culto físico, o sexo pela internet e outras delicadezas da vida contemporânea. O filme é brilhante, e realizado com a habitual fluidez. Passa num respiro. Dá vontade de ver de novo.
Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~
Por IVAN FINOTTI (Grupo Folha), Luiz Zanin Oricchio (Grupo Estado) & Vasco Câmara (Público PT)

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Kamila
A Ana Maria Bahiana disse que o filme dos Coen foi mal recebido em Veneza, mas a maioria dos comentários que li sobre o longa foram bons.
Aug 29th, 2008
Vinícius P.
Acho que “Queime Depois de Ler” traz de volta esse estilo mais descompromissado que fizeram a fama dos Coen, algo perdido em seus últimos trabalhos – até porque suas últimas comédias ficaram abaixo da média…
Aug 30th, 2008
Gustavo
Mesmo que não tenha o peso de ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, até porque a proposta e o gênero são outros, é programa a não se perder. Tomara que passe em cidades pequenas também…
Nov 28th, 2008
Hugo Leon
Também gostei muito deste novo Coen. Agora o seu post ai, não entendi. Afinal quem escreveu, os três citados ai ?
Dec 2nd, 2008
Pedro Lucena
Acabei de vir do cinema e vim ler alguma coisa a respeito do filme.
É uma delícia e dá mesmo vontade de ver de novo.
E extremamente hilariante!
Dec 14th, 2008
Vinicius
Amigos, está mais do que na hora de pararmos de elogiar um filme apenas levando em conta quem o dirigiu. Queime depois de ler é fraco e a crítica especializada também não gostou, vamos parar de tentar achar que o filme é um humor negro e tudo mais, o filme é ruim mesmo !!!
Feb 7th, 2009
Bruno Madeira
Gostei bastante desse filme. Dinâmico, cômico e realmente dá vontade de ver de novo!
Feb 20th, 2009
Reply to “Queime Depois de Ler”