

UM HOMEM BOM (GOOD) é uma pesada lição sobre pessoas boas seduzidas pelo mal. É uma parábola bastante obvia da corrupção moral, um resgate dos teatros londrinos para o cinema feito pelo brasileiro Vicente Amorim.
A fita acompanha a trajetória de John Halder (Viggo Mortensen), um homem comum de bom coração, tolerante, honesto e com problemas familiares – uma mulher neurótica, dois filhos mimados e uma mãe que sofre de demência senil. Professor de literatura, Halder explora as circunstâncias de sua vida pessoal num romance no qual defende a eutanásia. Quando o livro é subitamente inscrito numa lista de apoio à propaganda do governo nazista, Halder vê sua carreira ascender numa corrente de nacionalismo e prosperidade. Mas é a partir disso que as escolhas de Halder causarão efeitos devastadores.
Apesar do tema forte, UM HOMEM BOM é apenas regular, sem inspiração e um pouco datado. No fundo, os personagens e emoções estão mecanizados. A direção de Amorim trouxe pouca personalidade ou paixão nesse material, adaptado da peça teatral de John Wrathall. Há algumas (raras) cenas de maior expressão, mas elas acabam naufragando num filme que carece de imaginação, enquanto cinema.
Viggo Mortensen não tem muito mais a fazer do que o estereotipo de acadêmico medroso. Outras performances estão apenas adequadas, embora não por falta de esforço.
Spoiler Rating: 76
LBC Rating: ~

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Kamila
Li a entrevista do Viggo Mortensen para a revista SET de Dezembro e fiquei curiosa demais em relação a este filme, ainda mais porque é dirigido por um brasileiro.
Dec 26th, 2008
Vinícius P.
Dois aspectos em particular me deixam um pouco interessado nesse “Good”: a direção do Vicente Amorim e a comentada atuação do Viggo Mortensen.
Dec 28th, 2008
ivana
Podem assistir porque é genial. Atuação de Viggo é primorosa, assim como esteve em Os Senhores do Crime. O cara sabe o que faz. Muito bem dirigido. Um filme emocionante, belíssimo do ponto de vista moral.
Dec 30th, 2008
IASMIN
Ivana,
não precisa responder… Só queria dizer que também achei um filme emocionante, e sobretudo “belíssimo do ponto de vista moral”. Assino embaixo de tudo o que disse. Mesmo a forma como o filme termina não é incômodo. É uma imperfeição que reforça que o processo de degradação moral do “Professor” é mais importante do que dar um final peremptório ao filme.
Fiquei horrorizada com uma crítica que li no endereço http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL931216-7086,00.html
“euforia nazista, que aqui, possivelmente pela primeira vez na história do cinema, é tratada de forma humanizada.”
Achei que o crítico escolheu muito mal as palavras. Não tem como tratar a euforia nazista de forma humanizada. Loucura é loucura. O que torna belíssimo o filme do ponto de vista moral é entender que a loucura pode acometer a qualquer um, a qualquer cidadão comum por aí, se submetido às pressões certas, e se fizer escolhas equivocadas.
Todo cuidado é pouco.
Jan 4th, 2009
Reply to “Um Homem Bom”