Com seu audacioso épico AUSTRÁLIA, Baz Luhrmann nos entrega um espetáculo vergonhosamente melodramático, muitas vezes excêntrico, mas sem duvida, com enorme potencial blockbuster. O mais caro filme australiano já feito é passional. Contudo, a direção de arte desafia até o mais cínico a desdenhar das grandiosas cenas.

Marginalizados à recentes micro-dramas suburbanos no cinema, os australianos são convidados a abraçar essa visão monumental de magia realista, com imagens banhadas em Technicolor, que homenageia o patrimônio do país e celebra a majestade revigorante de sua paisagem. Tudo de forma caricaturizada, é claro. E apesar de 185 minutos de filme, a fita deve se vender também ao público internacional pela abundancia de sequências de ação e (isso é embaraçoso…) pelo flagra de Jackman no banho.

AUSTRÁLIA trabalha no estilo clássico de …E O VENTO LEVOU e LAWRENCE DA ARÁBIA para contar a estória de Lady Sarah Ashley (Kidman), uma aristocrata inglesa que recebe de herança uma fazenda gigantesca. Mas quando um barão inglês do gado conspira para tomar as terras dela, a mulher precisa aliar-se, a contragosto, com um vaqueiro (Jackman) para levar dois mil cabeças de gado através de um dos terrenos mais áridos do país, apenas para deparar-se com o bombardeio japonês da cidade de Darwin, pelas mesmas forças que atacaram Pearl Harbor meses antes.

Diferente de …E O VENTO LEVOU que evitou o contexto político da Guerra Civil, usando o conflito como pano de fundo apenas para as convulsões emocionais de Scarlet O´Hara; Luhrmann aborda uma política anti-racista antiquada ao citar a questão aborígine da região, tentando reconciliar brancos e negros na Austrália. O resultado é burlesco.

Apesar disso, Kidman realiza uma de suas performances mais atraentes desde UM SONHO SEM LIMITES (1995) e Jackman, enquanto “bad guy” fica bem no seu chapéu de cowboy. Ambos têm um certo sex appeal em suas aventuras. Outras interpretações são destaque no filme, particularmente a de David Wenham como o fazendeiro rival de Lady Ashley e David Gulpilil como um guru místico dos aborígines.

AUSTRÁLIA fornece um passeio acidentado e luxuoso, como um Rolls Royce numa estrada de terra. Está cheio de saltos e reviravoltas de roteiro que ora funciona, ora não. É um romance agridoce repleto de paisagens de cartão postal e figurinos de editorial de revista de moda. Enfim, é um filme de massa com sotaque de filme de arte.

E, sim, há cangurus…

Spoiler Rating: 76
LBC Rating: ~

This entry was posted on Thursday, January 1st, 2009 at 8:33 am.
Categories: FILMES.

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  1. Parece que “Austrália” é mesmo um filme impecável quanto à técnica, mas deixa a desejar em outros quesitos. Particularmente gosto muito dos outros filmes do diretor e espero que a maior parte das críticas negativas seja por parte daqueles que não aprovam o estilo do Baz. Ansioso…

  2. Sempre tive a impressão de que “Australia” seria um primor técnico, mas com aspectos fracos de roteiro, por exemplo. Os filmes do Baz Luhrmann acabam sempre pecando neste sentido.

  3. AUSTRÁLIA É ENVOLVENTE, EMOCIONANTE !!!!!

  4. austtrália é grandioso , lindoo , nicole kidman está belissima e baz como sempre tem olhos de sonhadorr

  5. marco antonio

    Eu jurava que Australia seria indicado por fotografia!!! Deveria, pelo menos indicado pelas belas paisagens.

Reply to “Austrália”


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