O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON) é um filme fascinante que funciona em todos os níveis. É uma fábula épica de um homem que rejuvenesce ao invés de envelhecer, uma estória sobre as maravilhas da vida, do nascimento, da morte e – acima de tudo – do amor.

É um filme repleto de realismo mágico. Uma estória que justapõe fantasia com realidade, tornando tudo verossímil sob um aspecto encantado. É um tipo de estrutura narrativa que se assemelha à FORREST GUMP e não é coincidência: O roteirista Eric Roth escreveu ambos os roteiros. Mas ao contrário de Forrest, Benjamin não participa de nenhum capricho histórico, tão pouco revisita fatos marcantes. Sua própria situação inusitada é suficiente.

Mesmo sob alegoria, a estória sublinha que ainda existem forças que o homem não consegue controlar: Daisy (Cate Blanchett), uma velha hospitalizada em Nova Orleans, em seus últimos momentos de vida, dá a sua filha (Julia Ormond) um diário para ler. As memórias são de Benjamin Button que nasceu em 1918, dia do armistício, data que marcou o fim da Primeira Guerra.

Ele foi, conforme escreve, “nascido sob circunstâncias incomuns”. Um bebê com aparência de um homem de 80 anos, de visão ruim, ossos frágeis e pele enrugada. Sua mãe morrera durante o parto e seu pai (Jason Flemyng) o abandonou num asilo. Ali, fica aos cuidados da enfermeira Queenie (Taraji P. Henson) e vive sua “infância” desapercebido.

Imerso entre os velhos, e esquecido pelo tempo, ele conhece Daisy, uma menininha (Elle Fanning) que veio visitar um antigo parente. Nasce, então, uma amizade (um amor) que dura pela vida inteira – embora aqui caminhem por direções opostas…

Daisy persegue o sonho de se tornar bailarina, enquanto Benjamin, uma vez que não sabe o que está acontecendo consigo, é um homem que nunca se sentirá confortável em qualquer lugar. O trabalho num barco rebocador o leva até a Rússia, onde se envolve com a esposa de um espião britânico (Tilda Swinton) e, então, à Segunda Guerra.

A estória de Benjamin é precedida pela recordação de Daisy de um relojoeiro (Elias Koteas) que tendo perdido seu filho na Primeira Guerra, fez um relógio para a torre de trem da estação de Nova Orleans que girava no sentido anti-horário para que o tempo pudesse se mover da mesma maneira e seu filho voltar para ele. Assim, em narrativa e tema, o filme tenta enganar o tempo, da mesma forma que o homem tenta enganar a morte.

Grande parte da postura romântica e filosófica do filme depende da química entre Benjamin e Daisy e eles cumprem seu papel de maneira inteiramente satisfatória. A consumação converge num ponto culminante quando ele está no ápice de seu porte físico e ela no auge da feminilidade. Mas a paixão é efêmera, devido a consciência de ambos seguirem rumos diferentes – Ela envelhecendo, ele rejuvenescendo. A consciência desse fato, produz um certo sentimento de melancolia que rodeia toda a película e reflete uma pouco sobre a efemeridade da vida e do amor.

O elenco está perfeito: Brad Pitt desempenha um personagem comovente, uma pessoa perdida em sua própria vida, mas com certo espírito cômico que lhe permite aceitar seu destino. Blanchett ilumina a tela com tanta beleza e inteligência, que é impossível não imaginá-la ao lado de Benjamin e Henson, como a mãe adotiva, personifica a essência de uma mulher boa que deriva entre sua crença na força de Deus e seus instintos.

A direção de Fincher é segura em todo os 166 minutos de fita que passam num suspiro. A direção de arte é brilhante no arranjo dos cenários de época e a fotografia casa perfeitamente uma paleta de cores suaves com os CGI e outros efeitos visuais necessários para compor um passado mágico. São pequenos detalhes que tornam O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON o melhor filme do ano e sem dúvida o principal favorito na temporada de prêmios em diversas categorias.

Spoiler Rating: 90
LBC Rating: ~

This entry was posted on Thursday, January 15th, 2009 at 9:25 pm.
Categories: FILMES.

28 Comments, Comment or Ping

  1. Estou muito ansiosa para conferir este filme e fico muito feliz de ver o David Fincher, finalmente, recebendo o reconhecimento que merece!

  2. Também faço fila para conferir “o melhor filme do ano”!

  3. Pâmela

    O filme é muito bem contado, parece que a história foi criada inicialmente para as telinhas. As adaptações foram fantásticas, a narração foi plena.

  4. Assisti ontem. Claro, não é um filme espetacular, daqueles de ficar marcado na história do cinema. Mas acho que a adaptação foi extremamente bem cuidada, planejada e executada. Tecnicamente, é impecável. Maquiagem, Efeitos Visuais, Fotografia e Direção de Arte são divinos do começo ao filme. Não há muita trilha e Tilda Swinton não ajuda muito (pra variar, como ela ganhou o Oscar??? O.O meu Deus!!! Quanto lobby:/):
    O resto do elenco de apoio compensa, principalmente Taraji P. Henson (excelente) e Julia Ormond, com uma humanidade incrível. Eu me vi nela. O casal de astros está corretíssimo. Nada sensacional, sim, mas no tom exato, dentro do que se pede e soberbos quando juntos. Foram feitos para fazerem par no cinema. Cate é um assombro quando está sozinha (reparem na cena da piscina, é um primor!) Pitt é bom ator. Já provou isso! Aqui está encantado com o significado da história e impotente diante do assombro que a mesma representa. O texto é impecável, a melhor coisa do filme. O desfecho, previsível, mas o modo como foi feito te deixa com um aperto no peito e a última cena é brilhante. Ou seja, é um filme acima da média, sem ser filme de entrar pra história. Apenas uma fita que funciona e que, para mim, é a melhor do ano sem dúvida!

  5. S. Foster

    Se fosse definir esse filme em uma palavra seria: fantástico! Apesar de ser um conto meramente,quer dizer, extremamente de ficçao, a historia passa uma mensagem, que para quem ficou quase 3 horas no cinema, valerá a pena ver. Mostra como o amor une a s pessoas e as deixa aproveitar a vida até o ultimo segundo que resta. Nunca fui fã do Brad Pitt, honestamente nunca me empolguei em filmes que ele aparecia, mas no papel de Benjamin ele está bem, tranquilo, a unica cena que notei ele acima da media foi quando chora nos ombros de sua mae se perguntando pq nasceu diferente do soutros. Já Cate Blanchett, sem palavras, mais uma vez ele mostra que umas das melhores atrizes da atualidade, e de a ela qualquer papel, que ela o transforma em possivel candidato a premios: espetacular. Porem a atriz que mais me chamou atençao foi Taraji P. Henson, que interpreta a mae de Benjamin, Queenie, a triz está estupenda, ela interpreta com muita suavidade uma verdadeira mãe. O filme tem muitos momentos engraçados, e cenas dramaticas, milimetricamente elaboradas, sem contar a maquiagem perfeita que é misturada computação grafica. O filme será vencedor de Oscars, porem nao acho que ganhe de melhor filme.

  6. Gabriel

    Qualquer roteiro de Eric Roth, vale apena conferir. Estou ansioso para ver essa adapitação.

  7. Gostei do texto, por você ter se preocupado em ressaltar as qualidades do filmes, e não fez como outros que estão muito preocupados em apontar defeitos no filme, baseados nas falhas no carater dos personagens.

  8. Dani

    Filme estraordinário,estupendo ,fantástico…não há palavras para descrever o “melhor filme do ano” e o melhor filme que eu já vi na minha vida.

    Merece ganhar os 13 Oscars.

  9. Marcelo

    Se esse filme ESPETACULAR!!!!, nao ganhar o oscar 2009, eu vou ficar muito indignado!!!!!!!!!!!!!!

  10. Zenaide

    Filme adorável. Tudo parece perfeitamente possível.
    Belo filme…

  11. alex donda

    Muito bom o filme q uma adapitaçao minuciosa uma das mais perfeitas q ja vi atuações brilhantes, (tirando Tilda Swinton q mais uma vez decepiciona, como amante de Benjamin, parecia mais a bruxa de gelo de Narnia. Mas o filme tem um “time”otimo os 166 min. passam como um curta metragem, começa com uma fabula de um menino que nasce velho e vai rejuvenescendo um relogio que anda para trás, se transforma em liçao de vida com a força de vontade de Benjamin superar as dificuldades de ser uma criança com 80 anos ai vem o romance com a garotinha que vem se transformar na maravilhosa (Cate Blanchet) que faz o filme ter um desfecho perfeito fora a narrativa que não diz a idade de Benjamin mas com datas historicas como fim da 1º guerra mundial, inicio da 2º, Beatles e muito mais prestem atençao no decorrer do filme enfim recomendo e concerteza vai ser o mais premiado 2009

  12. Junior

    Assisti domingo (08/02)
    é ÓTIMO !!!

  13. Eu amei este filme. Sublime em sua construção, soberbo em sua poesia. Fascinante e, sim, curioso.

    95 eu daria.

    Ciao!

  14. thales

    eu vi o filme e com certeza brad pitt recebera o oscar de melhor ator

  15. hiago

    estou curiosicimo para conferir, me parece q promete em ….
    eu ñ perco, ja estou com meu bilhete na mão …

  16. Agora que já conheço o resultado do OSCAR estou curiosissima para assistir o filme indiano que ganhou o premio porque para mim seria dificil algum outro filme suplantar a BENJAMIN BUTTON em todos os aspectos desde atuação a direção. Foi um dos filmes mais emocionantes que já assisti na vida.

  17. Jaqueline

    SIMPLESMENTE FABULOSO!!! Fiquei sem palavras ao assistir esse filme feito de uma forma brilhante, sem pecar em nada, perfeito desde a atuação, roteiro, direção, quanto aos fatores técnicos! Quase três horas de duração, que passaram sem pestanejar! Brad Pitt mais uma vez mostra que é um ator e tanto, assim como as perfeitas Cate Blanchett e Taraji P. Henson!! Todos tiveram os personagens caídos como luvas, performances maravilhosas!!! Os 3 Oscars ganhos, apesar de poucos, foram muitíssimos merecidos!! Se fosse outro ano e não tivesse o “Quem Quer Ser um Milionário?” como concorrente, com certeza esse filme seria outro a fazer história na maior premiação de Hollywood!!!

  18. Debora

    Achei o filme super incrivel
    recomendo para todos

  19. Eu assisti sábado (20/08/2011) e chorei! Que filmão!! Não sabia que era tão bom assim, senão tinha visto no cinema… muito emocionante, mas muito mesmo! A parte do Benjamin falecendo é… maravilhosa!

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