WATCHMEN, a aguardada adaptação de Zack Snyder do romance gráfico “Cult” de Alan Moore, é o evento cinematográfico da temporada. Denso, provocativo, demasiado brutal e ultra-violento, decididamente não é uma fita indicada para crianças ou – até mesmo – adolescentes. Esse filme visionário, aliás, vai além do esforço anterior do diretor, no hit de bilheteria “300”, que por comparação parece simples, direto, demasiado dependente de efeitos digitais e barato (intencionalmente ou não).
O melhor elogio que cabe ao trabalho de Snyder – que não é perfeito – é dizer quanto WATCHMEN é original, ou inigualável, se tratando do padrão de adaptação dos quadrinhos, incluindo a franquia “Batman”. Os fãs mais hardcore do livro original obviamente vão reclamar, principalmente pelas alterações introduzidas, incluindo o final diferente, mas sem dúvida, há muito a admirar sobre a fotografia, a imagem em si, que, em última análise, captura plenamente o espírito do romance.
WATCHMEN é, antes de tudo, uma meditação grave de Hollywood acerca do uso legitimo de autoridade, abuso de poder, ciência e tecnologia e o papel do Governo na segurança de seu povo, sem comprometer questões mais pessoais e domesticas como confiança e amor, sexo e felicidade. Aliás, duas das seqüências mais fortes do filme lidam com o prazer sexual e a impotência emocional.
É sem dúvida um filme ambicioso, e seria banal se fosse o contrário. É uma fita desafiadora. Um trabalho que comanda nossa atenção, proferindo prazeres diferentes, desde a mais visceral até a mais cerebral. Uma estória orientada por um elenco que carrega tantas outras estórias e estórias dentro de estórias, que pode até ser difícil de acompanhá-la.
A chave do sucesso é o elenco. Não há grandes estrelas como Christian Bale, Robert Downey Jr. ou Tobey Maguire. De fato, o elenco é formado por atores menos conhecidos, mas de grande talento como Jackie Earle Haley, Patrick Wilson, Billy Crudup e Matthew Goode, atores que literalmente desaparecem nas suas novas identidades e mascaras.
Mas a principal questão que atravessa toda a narrativa é “Quem vigia aqueles que nos vigiam?” Subvertendo, desconstruindo e, em seguida, reconstruindo o conceito de heróis, o filme introduz meia dúzia de personagens. Pessoas “verdadeiras” que lidam com questões éticas e pessoais e lutam com neuroses e falhas. Cada vigilante é símbolo de um tipo diferente de energia, obsessão e psicopatologia. Todos têm uniforme, identidade secreta e codinome “heróico” (Comediante, Espectral, Coruja), mas são apresentados em ações pouco “super”: Brigando entre si, falhando durante o ato sexual ou mesmo realizando atos criminosos, como assassinar uma pessoa inocente a sangue-frio ou estuprar uma colega super-heroína.
Diante desse mundo sombrio, o governo norte-americano proibiu a atuação dos super-heróis, que foram forçados a se aposentar. Apenas três continuaram na ativa: o Comediante e o Dr. Manhattan, que trabalham para o governo, e Rorschach, que opera fora da lei e tem de fugir da polícia. A trama começa quando o Comediante é assassinado. Rorschach decide investigar: Pode ser uma vingança contra todos os super-heróis ou pode ser algo maior…
O filme mantém o atributo do quadrinho original: Seu storytelling intrincado, diálogo multifacetado, simbolismos, flashbacks e meta-ficção. O roteiro, adaptado por David Hayter e Alex Tse, mantém a representação humana dos heróis, sujeitos aos mesmos comportamentos de pessoas comuns e como sua fonte, é um filme de auto-reflexão.
Se WATCHMEN, os quadrinhos de Alan Moore, foi considerado como uma nova expressão de arte dentro dos romances gráficos, é justo dizer que WATCHMEN, o filme, segue o mesmo padrão, dentro do seu gênero cinematográfico. Há falhas, é verdade, mas nada que comprometa a narrativa dessa mítica fábula noir, embebida em chuva e noite.
Spoiler Rating: 82
LBC Rating: ~

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Vinícius P.
“Watchmen” é um dos filmes que mais aguardo e mal posso esperar para vê-lo. Pelo jeito conseguiram fazer uma adaptação que não envergonha as origens dos personagens.
Mar 6th, 2009
EsKiiloo
Vi o filme neste final de semana e simplesmente adorei. Realmente não é um filme para leigos, é de fato muito complexo de se entender. Temas muito pesados que foram abordados, o que me atrevo a dizer que justifica a violencia que foi usada no filme. Se eu não dependesse de um maior, eu assistiria de novo
Mar 9th, 2009
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