UM ATO DE LIBERDADE (DEFIANCE) é um conto de guerra de honra familiar, vingança e salvação e é um típico trabalho do cineasta Edward Zwick: Um filme de significado político e social que combina ação e melodrama, sem muita complexidade e talento pessoal. Uma fita viável tecnicamente mas um tanto apática na emoção.

A historia combate duramente a imagem do impiedoso destino dos judeus em guetos ou campos de concentração sem qualquer contra-revolta. Na realidade, a resistência era impossível, mas o filme, baseado no livro do historiador Nechama Tec, destaca um pequeno movimento de 1200 judeus asilados numa floresta da Bielo-Rússia.

Zwick examina esse incidente histórico do ponto de vista de três irmãos, os Bielskis: Tuvia (Daniel Craig), um criminoso que busca a redenção depois dos nazistas assassinarem seus pais em Agosto de 1941; Zuz (Liev Schreiber), conhecido como “o selvagem” e o caçula, Asael (Jamie Bell).

Tuvia submete seu batismo de sangue, matando o responsável pelo assassinato de seus pais, mas em seguida renuncia seu ato de vingança, assumindo que a melhor reparação no momento é sobreviver. No entanto, Zuz quer eliminar a maioria dos colaboradores locais e sua tática de guerrilha lhe permite eliminar alguns nazistas e angariar algumas armas.

Outros refugiados encontram seu caminho até os irmãos, num acampamento remoto, espécie de Quilombo de Judeus, uma micro comunidade com religiosos, intelectuais, interesses amorosos e, claro, combatentes. Mas a impaciência de Zuz, duvidosa da capacidade de liderança de Tuvia e ansiosa por ação direta, acaba dividindo o grupo: O primeiro se alia ao exercito vermelho russo. O segundo organiza uma nova aldeia oculta, preparando-se para o inverno.

E é nesse ponto que o roteiro de Clayton Frohman e Zwick desanda… As circunstâncias históricas, a premissa do argumento, a interpretação de Craig e Schreiber, a melodiosa trilha de James Newton Howard pontuada por violinos e a suave fotografia de Eduardo Serra em tons azulados e cinzas recaem num final vulgar e planfetório, com discursos inflamados, cheio de heroísmo nobre, repleto de tragédia e auto-sacrificio.

Na perspectiva de outro cineasta, UM ATO DE LIBERDADE seria um filme extraordinário, em tema e técnica, mas nas mãos de Zwick, o destino dos personagens fica no lugar comum das heróicas historias de sobrevivência no batido gênero de guerra.

Spoiler Rating: 78
LBC Rating: ~

This entry was posted on Wednesday, May 6th, 2009 at 5:26 am.
Categories: FILMES.

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  1. Pois é, “Defiance” parece ser exatamente igual aos outros filmes do Edward Zwick: apesar da produção técnica ser um destaque, peca pela falta de emoção. De qualquer forma é possível esperar por algumas indicações secundárias nos principais prêmios.

  2. Uma pena que a história desanda. Achava que “Defiance” tinha o grande potencial de ser a obra surpreendente na temporada de premiações. Pelo jeito, o filme vai acabar recluso nas categorias técnicas do Oscar.

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