É uma animação digital que abriu o Festival de Cannes 2009 – A primeira animação da história a ter essa honra. É a belíssima recepção de UP – ALTAS AVENTURAS que tem como personagens um viúvo que se permite um último sonho de aventura, um menino que é um desastre de escoteiro, um pássaro raro, um cão que fala e uma casa que voa com balões, todos a caminho de aventura na América do Sul que mostra que o filme não vai estragar o longo cortejo de sucessos comerciais e artísticos da Pixar.

A sequência inicial é admirável, beira a obra-prima. Começa como um cine jornal, mostrando o efeito que tem, sobre um garoto, a existência de um aventureiro que vai aos confins da América do Sul, representando “o espírito da aventura” (nome de seu dirigível).

O aventureiro desaparece em busca de uma ave rara – acusado que foi de forjar um esqueleto falso. O menino encontra sua alma gêmea, cresce, se casa. Ele e ela vivem uma vida inteira sonhando com a ida para esse paraíso mítico. Envelhecem, ela morre – o começo de UP não apenas confronta o espectador com a dor da perda, tema de animações clássicas, como BAMBI e DUMBO, mas também passa uma sensação rara de tristeza que talvez faça desse desenho um programa para adultos.

Só então a aventura – o velho e um garoto – começa. Ele, viúvo e solitário, acuado pela explosão imobiliária em seu bairro e ameaçado de ser posto num asilo, ata à sua casa balões suficiente para fazê-la voar, mas sem saber, decola levando a reboque o garoto Russel, escoteiro cuja “promoção” dependia da tarefa de prestar auxílio a idosos. É o início de uma bela amizade. Essa segunda parte tem seu encanto – o vilão é surpreendente -, mas de alguma forma a grande inovação ficou no intimismo minimalista da parte inicial.

Falamos aqui de cinema americano clássico. Não apenas do cinema de animação. Veja: Um velho que pode ser nosso avô, mas que parece particularmente habitar os filmes que nosso avô teria visto, filmes com Spencer Tracy ou Walter Matthau. Ou ainda as aventuras dos seriados antigos, ou King Kong, explicitamente citado. Ou – porque a Pixar tem experimentado de forma adulta com uma narrativa num gênero que viveu no gueto infantil – as comédias de Frank Capra, o sentido de elipse de Howard Hawks. Faz sentido porque a Pixar tem sido descrita como um “estúdio à antiga”, com um sentido de família e de formação à maneira da Hollywood dos anos 40.

A imagem da casa voando com os balões coloridos é daquelas que colam na memória. Mas mais do que belas imagens ou animação de última tecnologia, a Pixar tem sempre bons personagens e uma história nostálgica, que lembra também o otimismo e o valor da amizade e segue direitinho a receita cinematográfica de Walt Disney.

Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~

Por Thiago Stivaletti (UOL), Silvana Arantes (Grupo Folha), Luis Carlos Merten (Grupo Estado) e redação do Público PT

This entry was posted on Thursday, May 14th, 2009 at 6:09 pm.
Categories: FILMES.

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