FACE é a homenagem do cineasta malaio Tsai Ming-liang à nouvelle vague, presente em diálogos, imagens e na escalação de Jean-Pierre Léaud, o ator-fetiche de François Truffaut, e Fanny Ardant, com quem o diretor francês viveu romance, no início dos anos 80.

A fita foi rodada sob convite do Museu do Louvre e inova ao mostrar as galerias subterrâneas do maior museu do mundo, ao invés dos corredores cheios de quadros. Uma interessante fusão entre o universo asiático – com os tradicionais atores Lee Kang Sheng e Lu Yi-Ching, que sempre interpreta a mãe do protagonista nos filmes do diretor – e esse novo universo francês, cheio de reminiscências cinéfilas.

Lee Kang-sheng, aparece aqui como um cineasta que roda, no Louvre, uma versão de Salomé, vivida pela atriz interpretada por Laetitia Casta. Fanny Ardant é, ao mesmo tempo, produtora deste filme dentro do filme e a rainha Hérodias, enquanto Léaud é Antoine (seu personagem nos filmes de Truffaut) e o rei Herodes. Mas a morte da mãe faz o diretor dentro do filme entrar em crise, e a partir daí FACE entra numa espiral de delírio.

Sem ler a sinopse, no entanto, é praticamente impossível acompanhar qualquer linha narrativa do longa-metragem, uma colagem de quadros que guardam pouca relação entre si. O cinema de Ming-liang é sempre assim, mas a experiência aqui é bem mais radical e difícil

Por mais belo que FACE seja de olhar, com seus figurinos assinados por Christian Lacroix e canções dubladas por Laetitia, os 138 minutos pesam junto com as obsessões do cineasta (a água, a busca da graça, o homossexualismo). Tudo meio a machado, para justificar uma autoria.

Spoiler Rating: 72
LBC Rating: ~

Por Tiago Stivaletti (UOL), Mariane Morisawa (IG) & Luiz Carlos Merten (Grupo Estado)

This entry was posted on Sunday, May 24th, 2009 at 2:08 pm.
Categories: SPOILERS.

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