“O real valor de um conflito está na dívida que ele cria. Se você controlar a dívida, controla tudo. Esse é o princípio que faz de todos nós, cidadãos ou nações, escravos da dívida”


Clive Owen quase foi 007 e TRAMA INTERNACIONAL lhe dá a oportunidade de quase o ser, mas o thriller quase paranóico de Tom Tykwer (O PERFUME), cuja Premiere Mundial abriu o Festival de Berlim, morre na praia.

Na fita, Clive Owen interpreta um agente da Interpool em busca de provas do envolvimento de um banco com o crime organizado. “O filme não é sobre a crise bancária”, disse Tykwer. “É sobre um sistema que rege a nossa vida e que está assentado sobre o comércio de mercadorias, algo que talvez seja o momento de questionar.”

Uma associação possível é com outro thriller recente protagonizado por Owen, FILHOS DA ESPERANÇA, de Alfonso Cuarón. Ambos, e por diferentes vias, apontam para um futuro sombrio da liberdade. O ponto de TRAMA INTERNACIONAL é que existe este banco, acima e à margem da lei, que recorre à chantagem e ao assassinato. O objetivo é o poder supranacional que se acumula pelo aumento da dívida de pessoas e países.

Daí que TRAMA INTERNACIONAL começa com um crime discreto à boa maneira dos filmes de espionagem da Guerra Fria. Daí que haja um assassinato à queima-roupa de um empresário com aspirações políticas em Milão e um espantoso tiroteio no Guggenheim de Nova Iorque (recriado numa estação abandonada de Berlim). São figuras obrigatórias de qualquer thriller de espionagem que se preze, encenadas de modo cinético e fluido pelo cineasta alemão de CORRA LOLA, CORRA.

As locações saltam de Berlim para Milão e Istambul. A última cena foi a primeira a ser filmada e Owen disse que nunca enfrentou desafio maior. O desfecho vem no crescendo de uma trajetória que leva o herói ao seu limite, sempre na estrada. Entrar de cara no personagem pelo fim foi uma experiência que ele nunca havia tido antes. Já o espectador teve muitas vezes essa experiência. TRAMA INTERNACIONAL tem vários fatores atraentes para abrir um festival – nomes de prestígio, uma produção sólida, até certo ponto é bem-feito. Só não estimula o pensamento. É banal.

Resumindo: qualquer relação disto com um comentário ao estado do mundo é pura ficção, coincidência de calendário. E o próprio Tom Tykwer tem noção disso.

Por Silvana Arantes (Folha de São Paulo), Luiz Carlos Merten (Estado de São Paulo) & Jorge Mourinha (Público PT)

Spoiler Rating: 74
LBC Rating: ~

This entry was posted on Friday, June 19th, 2009 at 8:38 am.
Categories: FILMES.

No Comments, Comment or Ping

  1. Para variar, não estreou em minha cidade…

  2. Eu gosto muito do cinema do Tom Tykwer, pois mesmo quando não alcança um grande resultado, sempre tem algo interessante a mostrar. Sem falar que a dupla principal é ótima…

  3. Jardel

    Filme meia-boca. Vale apenas pela cena do tiroteio no Museu Guggenheim de Nova Iorque. Clive Owen fazendo o mesmo papel canastrão de sempre.

Reply to “Trama Internacional”


Registro de 

Domínio e hospedagem profissional de sites é só na Insite