Depois de 15 anos, uma mulher misteriosa retorna à cidade natal para viver com a irmã e reconstruir sua vida. Seu passado é nebuloso, cercado de silêncio e fantasmas. Esse é o tema de HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO, uma estória trágica contada em conta-gotas de forma soberba pelo diretor e roteirista Philippe Claudel.
Kristin Scott Thomas é Juliette. Ela foi deserdada pela família e, agora, está de volta para um difícil convívio. Na verdade, ela passou todo este tempo na cadeia, por haver cometido um crime inominável – veja o filme para saber qual foi. Elsa Zylberstein é Léa, que acolhe a irmã em casa, mas seu marido, ao reconhecer o crime reage como talvez reagisse o espectador – cobrando da mulher que a enxote de casa. Mas Léa não pode… Ela tem esse vínculo com a irmã.
O roteiro é impecável. Em tom minimalista, a narrativa vai destilando lentamente em triste pesar. HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO não seria um suspense, mas se utiliza de vários elementos do gênero para criar uma atmosfera de mistério e temor, medo e preocupação. O passado de Juliette é segredo absoluto. Está oculto de suas sobrinhas, do círculo social de Léa e seu marido Luc, e também do público que hesitante, aguarda com curiosidade o desfecho. Até mesmo Léa arde de curiosidade… Seria sua irmã uma penitente, uma louca, ou um monstro? Juliette permanece em resoluto silencio, decoro e depressão, mas isso seria fruto de arrependimento ou premeditação fria para um novo crime? Porque ela fez aquilo? Porque ela não fala?
Mas embora o horror incomensurável do passado de Juliette domine tudo, pequenas felicidades e disparates da vida real surgem espontaneamente e fica claro que o filme é, no fundo, uma história de reabilitação e cura.
Trata-se, no final, de um filme de expiação e culpa; construído inteiramente sobre a devastadora revelação final e a interpretação das duas atrizes. Scott Thomas está fantástica sob pesadas rugas e olheiras, num desempenho profundo e sutil. Zylberstein está igualmente espetacular em sua busca silenciosa e fraterna por respostas. HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO é um drama existencialista perturbante. Um filme sobre o sentimento de estar junto, mas separado, e vice-versa.
Spoiler Rating: 85
LBC Rating: ~
2 Comments, Comment or Ping
Jardel
Filme pesado. Lento como a maioria dos filmes franceses. Para quem gosta, boa opção.
Aug 25th, 2009
Ana Rosa
Um dos melhores filmes que vi neste ano:
Intenso, a trama é tratada nos seus mínimos detalhes;
intrigante, passa-se boa parte do tempo tentando entender qual é o crime “inominável” e após sua revelação o porquê de Juliette tê-lo cometido;
humano, aborda-se o lado ruim e bom de cada personagem.
Um “cappolavoro”.
Sep 20th, 2009
Reply to “Há Tanto Tempo que te Amo”