

Uma ficção invadida pelo documentário, ou melhor, um filme que começa como documentário e acaba como ficção. Documentário? Ficção? AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO extrapola quaisquer classificações de gênero.
Seria a história de um pai, a filha e o primo dela, músicos de uma banda que toca nos confins de Portugal, onde imigrantes se cruzam com populares, entre festa e baile, cerveja, jogos e caçadas, durante o quente mês de Agosto? Seria a história, mas não é porque o diretor e sua equipe técnica irrompem pelo filme adentro, se misturando como atores não profissionais.
Fala de rituais e mais rituais no vilarejo de Beira Alta, durante o verão, quando os turistas aparecem para os bailaricos, procissões e fogos. É um filme sobre o cinema e um teatro de uma terra onde não se fala nem de cinema, nem de teatro, e onde provavelmente eles nem existem. É um filme sobre conto e canto.
AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO é um filme sobre ficção desejando ser documentário, e um filme sobre documentário desejando ser ficção. Tudo se encontra e se reencontra, tudo flui e se condensa, até formar uma unidade que se torna impossível desenlaçar. É sobretudo um desejo de cinema quando a realidade deseja o espetáculo.
Spoiler Rating: 78
LBC Rating: ~
Da Acessoria de Imprensa (Som e Fúria) e redação do Destak, Público PT e Diário de Notícias

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