Depois de dirigir o maior blockbuster da história do cinema (A franquia HOMEM-ARANHA), Sam Raimi volta às origens com um filme de baixo orçamento, um tanto independente, que reúne um pouco de humor negro com terror, visto em DARKMAN e UMA NOITE ALUCINANTE que, duas décadas atrás, colocou o diretor na rota de colisão de Hollywood.

Com ARRASTE-ME PARA O INFERNO, ele se mostra em ótima forma, realizando um horror supranatural, extremamente satisfatório, cuja força reside na caracterização dos personagens em detrimento dos efeitos especiais.

Num olhar mais atento, o filme revela alguns temas consistentes da filmografia dos irmãos Raimi, Sam e Ivan, que normalmente co-assinam os roteiros. Ambos abusam de personagens que extrapolam o gênero específico no qual estão trabalhando, vivendo complexos contos de moral. Seus heróis habitam vidas ordinárias, mas lançados em situações bizarras, se vêem obrigados (de uma forma ou de outra) a se tornarem guerreiros relutantes.

Aqui é a mesma coisa… O argumento se baseia na premissa terrivelmente viável que alimentou a imaginação de Hitchcock em dezenas de filmes: O que acontece com uma pessoa “simples”, se ela fosse amaldiçoada ou se visse em circunstâncias extraordinárias de crise? Pois esse é o caso de uma simples mulher, auxiliar de escritório que trabalha num banco, no setor de empréstimos.

Mas antes o público se vê em 1969, as voltas com as desventuras de um jovem que roubou um bracelete dos ciganos. Então, a fita corta para o presente e Christine Brown (Alison Lohman) nega extensão de empréstimo a uma idosa mulher, uma tal de Dona Ganush (Lorna Raver). Christine não só nega o dinheiro, como também “humilha” a senhora, cujas unhas longas, sujas, “olhar do mal” e pesado sotaque do leste-europeu lhe identificam, ora só, como uma cigana! A maldição é inevitável e o destino selado…

Christine é, claro, uma boa pessoa. Ela apenas tenta sobreviver na grande metrópole. Uma pessoa normal que, como todos, tenta progredir no seu trabalho que exige decisões difíceis. Sua única ambição provoca uma escolha para o pecado, que de certa forma, ricocheteia das escrituras do banco para terríveis conseqüências.

Sem qualquer sinal de alerta, sua vidinha atinge níveis bizarros… Seu carro é atacado, seu nariz sangra, seus sonhos se tornam pesadelos surrealistas. Tudo pressupondo uma lógica de passeio ao estilo “casa assombrada”, com Christine servindo de guia.

Com ARRASTE-ME PARA O INFERNO, Raimi demonstra que é perfeitamente capaz de fazer um filme menor depois de três lançamentos enormes em linha de combate. É uma oportunidade de retornar um tipo de cinema mais pessoal, prazeroso e experimental. Usando técnicas artesanais, Raimi cria um filme que é tão chocante como assustador. Tão perturbante como engraçado. E só precisou de uma dentadura, um lencinho, um botão e um grampeador para isso…

Spoiler Rating: 80
LBC Rating: ~

This entry was posted on Sunday, August 23rd, 2009 at 1:06 pm.
Categories: FILMES.

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