
DISTRITO 9 (DISTRICT 9) é um inovador e excitante thriller sci-fi que reflete a luta do Apartheid na África do Sul e anuncia a promissora carreira de um cineasta extremamente talentoso, Neill Blomkamp.
Seu filme de estréia combina diversas convenções temáticas de diferentes gêneros e usa abordagens típicas de documentário. O resultado é um trabalho original sobre refugiados políticos, que funciona em vários níveis, desde o particular e histórico até o mais metafórico e alegórico.
Com forte apoio da crítica e campanha boca-a-boca (talvez pela excelente campanha viral da Sony Pictures), DISTRITO 9 é fácil, fácil, o melhor filme dessa temporada enfadonha e chata. Um filme que agrada jovens e velhos, dado sua mistura eficaz de ficção cientifica com forte teor político.
Segunda a fita, há cerca de 20 anos, uma nave espacial com defeito estaciona sobre Johanesburgo. Ela carrega refugiados de outro planeta, que ficam sem alternativa além de fixarem residência na Terra. Passado o momento inicial de medo e deslumbramento dos humanos, e sem trazerem grandes contribuições à tecnologia daqui, eles são obrigados a morar em uma área determinada da cidade – o tal Distrito 9 do título –, uma enorme e deprimente favela, improvisada na África do Sul, enquanto os países mais poderosos do mundo deliberam sua sorte.
Enquanto isso, o controle e a segurança dos alienígenas é confiado à multinacional United (MNU), uma empresa privada, que ao invés de zelar pelo bem estar dos refugiados, conduz experiências médicas semelhantes aos dos nazistas na Segunda Guerra. O objetivo é controlar o armamento alien, visando dominar sua tecnologia. O desafio, no entanto, não é tão simples e todos os esforços falham, já que as armas exigem DNA extraterrestre para funcionar.
Cresce, portanto, a tensão entre aliens e humanos, que viviam em aparente harmonia. Um conflito que explode quando a MNU resolve realocar os extraterrestres para um acampamento novo. Há também uma reviravolta na trama quando um dos agentes da MNU, Wikus van der Merwe (bem interpretado por Sharlto Copley), contrai um vírus alienígena e sofre mutação. Lembrando vários heróis de Hitchcock, ele rapidamente se torna um homem caçado (e assombrado), que possui conhecimento inestimável para explorar a chave para desbloquear os segredos da tecnologia alienígena. Um herói ambíguo, cujo único lugar seguro é o próprio Distrito 9.
Nesse refugio, Wikus encontra uma criatura inteligente, Christopher Johnson e seu menino Little CJ. Juntos, eles estabelecem um tipo de unidade familiar que deve encontrar maneiras de reverter a metamorfose exótica de Wikus e, em última análise, ajudar os refugiados a regressarem ao seu planeta.
Partindo da experiência de ter vivenciado quando criança os últimos e tensos anos do Apartheid, Blomkamp preencheu a narrativa com vários detalhes históricos e planos de fundo político, tornando o roteiro interessante e rico; enquanto a produção (e tutela) de Peter Jackson turbinou as técnicas visuais e efeitos especiais.
Com DISTRITO 9, Blomkamp promove com êxito um conto de criaturas sci-fi assustador, mas não demasiadamente terrível pelas normas atuais do gênero e revoluciona o cinema com um equilíbrio de denuncia e humor negro, muito mais acessível e agradável do que poderia ter sido nas mãos de outro diretor. Sem dúvida, uma proeza de poucos precedentes.
Spoiler Rating: 88
LBC Rating: ~

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