
“Os filmes americanos têm respostas. Os filmes europeus têm questões. Esse é um filme profundamente europeu”, disse Annette K. Olesen, diretora do longa dinamarquês LILLE SOLDAT (LITTLE SOLDIER/PEQUENO SOLDADO), em Premiere em Berlim.
O filme não só tem música, como possui clichês de filmes de ação, de gângsteres, principalmente e lida com três estereótipos bem definidos: A filha, o pequeno soldado, é o herói; seu pai, o vilão. E a prostituta negra é a vítima que a heroína quer salvar para redimir o mundo.
Lotte (Trine Dyrholm) é a soldado do título, que retorna da Guerra e reencontra seu pai gerenciando uma rede de prostitutas e tráfico internacional de mulheres. É, sobretudo da Nigéria que procede a “mercadoria”, a quem o pai de Lotte julga fazer um favor. “Eu as estou ajudando. A Nigéria é um lugar horrível”, argumenta para a filha.
À medida que se afeiçoa à prostituta Lily (Lorna Brown), que é amante de seu pai, Lotte tentará salvá-la da situação em que se encontra para devolvê-la à Nigéria e ao contato com a filha de nove anos, que Lily sustenta à distância, com o dinheiro que ganha na Dinamarca.
Essas pequenas coisas compõem um bestiário de misérias humanas. Pai e filha reatam uma relação impossível, mas a Dinamarca que Annete K. Olsen filma não é mais a do Dogma de seu filme anterior, IN YOUR HANDS. Sua fita discute o que move pessoas em atitudes salvacionistas. Mais do que a compaixão pelo outro é, muitas vezes, a vontade de auto-redenção que move essas pessoas.
Spoiler Rating: 79
LBC Rating: ~
Por Silvana Arantes (Folha de São Paulo), Luiz Carlos Merten (Estado de São Paulo), Orlando Margarido (Portal Terra) & Jorge Mourinha (Público PT), além das Agências EFE, AFP, Reuters e BBC

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