

O espetáculo da moda, um triângulo amoroso, questões de patrimônio, atitude, diálogos afiados e um final amargo… Há um pouco de tudo na nova fita de Anne Fontaine, COCO AVANT CHANEL.
Há também – para deleite de publico e critica – um sentimento de inteligência, empenhado em organizar e modelar a biografia, ridicularizando qualquer pieguice e criando um titulo que foge completamente do padrão ao abordar a vida da grande celebridade.
O enfoque de Fontaine é a formação de Chanel pouco antes da primeira guerra mundial, a transição do modesto, arraigado no contexto camponês de sua infância, ao mundo da alta costura que ela praticamente revolucionou.
Com 25 anos, a jovem Gabrielle (Audrey Tautou) ou Coco, como logo se tornou conhecida, conheceu um rico comerciante de tecidos, chamado Etienne Balsan (Benoit Poelvoorde), com quem passa a viver como cortesã. Ressentindo-se de sua dependência, mantendo sob rédea curta suas emoções, ela passa a observar os interesses da alta sociedade.
Mas é na capital parisiense que Coco encontra o grande amor de sua vida: O milionário inglês Arthur Boyle. Aqui a estória de amor está completa, mas o interesse de Fontaine é mostrar como Coco se torna Chanel, em apontar os percalços do caminho de uma mulher tão pobre, tão sem recursos a se tornar uma figura chave na moda, no estilo e no design.
Tautou habita plenamente o papel de Coco. Seu rosto é enigmático, uma máscara para emoldurar uma contida identidade, ora feminina, ora desafiadora. O Balsan de Poelvoorde é, pelo contrario, extravagante. Rouba muitas cenas, embora o roteiro de Fontaine o caracterize como uma máscara também, escondendo vulnerabilidades mais profundas.
COCO AVANT CHANEL é a primeira incursão de Fontaine em filmes de época, mas seu retrato de uma mulher lutando para sobreviver num mundo perigoso e pré-feminista é plenamente convincente. Tudo pontuado pela sublime e não invasiva trilha musical de Alexandre Desplat e a direção de arte impecável.
Spoiler Rating: 79
LBC Rating: ~

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