
BASTARDOS INGLÓRIOS deveria ser um filme de guerra, mas nas mãos de Quentin Tarantino se transformou num faroeste… Um western spaghetti onde os nazistas são meros índios, embora seja os americanos, liderados por Aldo Raine, os especialistas nos escalpes.
Perito no pastiche de gêneros, o diretor faz, sobretudo, um filme de autor. Uma fita que, supostamente, seria remake do filme de Enzo Castellari, de 1978, INGLOURIOUS BASTARDS (ASSALTO AO TREM BLINDADO), que para Tarantino seria o emblema de um subgênero dentro do gênero de guerra: O modelo kamikaze das missões suicidas. Na verdade, o filme não é um remake. É outra a sua natureza. Tarantino recria não um filme, mas uma ideia de cinema e de gênero. Onde cabem – funciona assim com ele – todos os filmes em potência.
A ação se situa entre 1941 e 1944, na França ocupada pelos nazistas. Também pela primeira vez, Tarantino dirige uma estrela hollywoodiana da grandeza de Brad Pitt. Até aqui, nos filmes de Tarantino, o astro era ele…
O uniforme de Pitt é o do tenente Aldo Raine, que comanda uma unidade de soldados judeus dedicada a eliminar a cúpula de oficiais nazistas. Cabelos escuros, cicatriz no pescoço e um sotaque rural, Pitt faz um personagem impiedoso: “Não estamos aqui para dar a eles nenhuma lição de humanidade”, diz Raine.
Seu bando de bastardos inclui americanos (Eli Roth), ingleses (Michael Fassbender) e alemães convertidos (Til Schweigger), além de uma judia francesa (Mélanie Laurent) e uma estrela do cinema alemão que espia para a Resistência (Diane Kruger). Todos falando suas respectivas línguas – francês, alemão, inglês, italiano -, enquanto o coronel Hans Landa, o carrasco nazista, se expressa em todas elas.
O clímax é a pré-estréia, em Paris, de um filme que o próprio fuhrer considera a obra-prima da propaganda nazista. O plano de todo o mundo – de Pitt, da garota judia francesa que, na abertura, sobrevive ao massacre de sua família – é explodir o cinema na tal estréia, com o Hitler, Goebbels, Goering e Hans Landa dentro.
As cenas de escalpelamento e outras “práticas” de guerra dão a Tarantino a chance de introduzir os jorros de sangue comuns à sua filmografia. Intervenções gráficas pop, diálogos precisos, humor negro e uma trilha musical que vai de Ennio Morricone a David Bowie também comparecem. É esse o ideal que Tarantino trouxe ao seu Olimpo cinematográfico, o Festival de Cannes. BASTARDOS INGLÓRIOS é afinal um filme de guerra, mas à La Tarantino.
Spoiler Rating: 91
LBC Rating: ~
Por Thiago Stivaletti (UOL), Otávio Moulin (UOL), Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Vasco Câmara (Público PT), Silvana Arantes (Grupo Folha) & Agência AFP

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Vinícius P.
Parece que Tarantino voltou à velha forma – que para mim nunca foi perdida, mas a crítica tem a mania se considerar seus últimos trabalhos como “menores”.
Oct 7th, 2009
Reply to “Bastardos Inglórios”