500 DIAS COM ELA (500 DAYS OF SUMMER) é um daqueles filmes pequenos e independentes que surpreendem público e critica. Uma dramédia extraordinária do novato Marc Webb, contada de forma amarga, experimental e plenamente original sobre um romântico inveterado que vive um love affair de quase um ano e meio.

O ponto central é que nesse mundo moderno, repleto de cinismo, Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) ainda acredita na noção do verdadeiro amor. Aquele sentimento regojizante que a tudo consome. O problema é que sua namorada, Summer Finn (Zoey Deschanel) não compartilha do mesmo conceito. E assim, amargurado, Tom vai buscar esse amor junto dela, como se fosse um Dom Quixote moderno. Na verdade, Tom parece estar enamorado não somente com Summer, mas com a concepção literal do amor.

A saga começa, naturalmente, no Dia 1, quando Tom, um azarado escritor de cartões comemorativos e românticos, encontra a bela e jovial Summer, a nova secretaria de seu chefe que acaba de desembarcar em Michigan. O interesse é instantâneo e logo Tom descobre que ambos partilham dos mesmos interesses como a banda “The Smiths” e o artista surrealista Magritte, entre outras coisas.

Os flertes avançam lentamente até o Dia 31 e já no dia seguinte (32), Tom está embriagado de amor, completamente apaixonado, vivendo num mundo fantástico e vertiginoso. No entanto, no dia 185, o romance já cai no limbo, dando sinais de cansaço. Curioso que aqui, o filme reverte velhos clichês de como os sexos se comportam diante dos relacionamentos amorosos, quando justamente Summer – a menina – assume o papel descompromissado do casal. Afinal, “os relacionamentos são confusos e os sentimentos podem machucar. Quem precisa disso tudo? Nós somos jovens e vivemos numa das mais belas cidades do mundo. Vamos nos divertir enquanto podemos…”

Embora estruturado ao longo de dias, a história não é linear e não segue uma ordem cronológica, em vez disso, ziguezagueia pelo tortuoso relacionamento de Tom e Summer, ora sublime, ora tumultuado. Os tais 500 dias cobrem todas as emoções possíveis, desde a paixão inicial, o primeiro encontro, o primeiro sexo até a separação, recriminação, culpa e reconciliação. Sentimentos transmitidos de várias formas em diversas artimanhas de roteiro: Saltos de tempo, divisão de tela, números de karaokê e a própria verve cinematográfica que deixariam orgulhosos os cineastas franceses da Nouvelle Vague.

Scott Neustadter e Michael Weber, que assinam o roteiro, constroem uma relação que é ao mesmo tempo artificial e verdadeira, literal e alegórica. Olhando tudo de uma perspectiva estritamente masculina, eles levantam questões universais tais como “Existe uma alma gêmea?” “E, se houver, o que acontece se a perdemos?” “Existe o verdadeiro amor?”

Como muitos heróis da comédia americana, desde os filmes de Woody Allen da década de 70, Tom é um personagem auto-reflexivo e analítico, que sempre evoca o passado para descobrir o primeiro sinal dos problemas. Seus 500 dias de Summer revelam um amor simbólico e metafórico, às vezes cruel, duro e difícil, mas também como o mais intenso que a vida tem a oferecer.

Spoiler Rating: 92
LBC Rating: ~

This entry was posted on Saturday, October 10th, 2009 at 2:53 pm.
Categories: FILMES.

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