

AMREEKA (“América” em árabe) é o sonho de consumo de qualquer curador de Festival. A dramédia da palestina radicada americana Cherien Dabis explode em pequenas sutilezas, emoções honestas, observações incisivas e elenco afiado.
O que adiciona tempero na fita, sem falar da importância dramática, é que a narrativa trata de dois palestinos, mãe e filho, que abandonam a pátria para viver em Illinois, justamente quando os EUA invadem o Iraque. É um período conturbado, onde os americanos tratam imigrantes com medo e animosidade, sem distinguir direito sua etnia.
Quando Muna Farah (interpretada pela atriz e diretora Nisreen Faour) recebe um Green Card americano pelo correio, fica chocada. Seu filho Fadi (Melkar Muallem), cuja oportunidade de emprego e educação é limitada em territorio palestino, fica radiante. Ambos voam imediatamente para os EUA para viver com a irmã Raghda (a veterana Hiam Abbass) e seu marido Nabeel (Yussef Abu-Warda) em uma pequena cidade.
Infelizmente Muna perde todo seu dinheiro no aeroporto. Pior, eles não conseguem emprego na cidade e os clientes de Nabeel praticamente desaparecem com a invasão do Iraque. O filme trata de todos esses reveses, mas Dabis mostra o inverso do sonho americano com humor. Pequenos mal-entendidos culturais, a importância vital do vestuário, o cotidiano de um estrangeiro no colegial e as querelas comuns de uma família rendem boas risadas aqui.
O elenco esta maravilhos. Uniforme. Nisreen Faour que interpreta parcialmente em inglês, oferece um retrato empático de uma mulher valente, raçuda que sabe que auto-estima é inevitável para se sobressair. Já o adolescente Melkar Muallem (16) captura a hesitação de uma nova vida, mas sempre dividido entre saudade e deslocamento.
O filme foi aclamado em Sundance. A diretora foi aplaudida de pé. Prova irrefutável de que pelo menos no cinema, não há fronteiras.
Spoiler Rating: 82
LBC Rating: ~

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