

DOGTOOTH (KYNODONTAS/DENTE CANINO), do grego Yorgos Lanthimos, conquistou o Prêmio “Um Certain Regard” do 62º Festival de Cannes. A fita escolhe de saída a radicalidade e reabre a vertente de O CASTELO DA PUREZA, um dos primeiros filmes do mexicano Ripstein. O argumento propõe como protagonista, uma família, não apenas disfuncional, mas baseada na alienação do mundo e na dominação alheia. Uma espécie de A VILA ensandecido.
A narrativa se passa inteira dentro de uma casa onde os pais criam os filhos já adultos, um rapaz e duas moças, isolados do resto do mundo. Eles ensinam aos filhos significados diferentes das palavras (por exemplo: “zumbi” significa flor amarela e pequena que nasce no jardim).
Para eles, os aviões que sobrevoam a casa são meros brinquedos. Os filhos só poderão sair do lar quando o dente canino adulto cair naturalmente – ou seja, nunca. O diretor cria um filme absolutamente estranho, uma inusitada comédia de humor negro que inclui sexo entre os inocentes irmãos e algumas cenas de extrema violência, mas sempre tratadas no registro do absurdo, “um universo paralelo”
Yorgos Lanthimos se refestela no bizarro e mais especificamente no mais doentio dessa reação. DOGTOOTH desfacela relações de poder e sempre pela tragédia. É a chance do realizador esmagar com seus dedos na câmera estes insetos que ocupam o lugar de personagens na tela.
Spoiler Rating: 70
LBC Rating: ~
Por Thiago Stivaletti (UOL), Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Eduardo Valente (Cinética) & Agência AFP

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