


Alain Resnais, um dos grandes nomes da Nouvelle Vague, conhecido por clássicos dos anos 50 e 60 como HIROSHIMA MON AMOUR e O ANO PASSADO EM MARIENBAD e depois de alguns filmes mais intelectuais, como MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS, volta com o ensolarado ERVAS DANINHAS (LES HERBES FOLLES), uma comédia romântica levemente absurda em que Resnais brinca com todos os recursos do cinema, como fazia no seu auge.
É um filme feito com rigorosamente nada. Baseado no romance “L’Incident”, de Christian Gailly, o tal incidente é o mais banal possível, como, alias, deixa claro o narrador. Uma mulher sai para comprar um sapato, sua carteira é roubada, um homem a encontra, cria-se uma situação entre ambos. Ele está cansado da vida, do casamento e vislumbra algo na relação com essa mulher. O filme é tudo e é nada e no final sinaliza para o fim, realmente, de tudo.
Com os seus atores habituais (Sabine Azéma e André Dussolier) o casting é brilhante e representa o melhor de uma geração de intérpretes franceses: Roger Pierre, Anne Consigny, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Michel Vuillermoz, Annie Cordy, e a voz de Edouard Baer.
A narração brinca o tempo todo com a música inusitada, as cores às vezes berrantes que dão um efeito de sonho a Paris, diálogos brilhantes e uma surpresa a cada minuto. Os personagens não admitem rótulos, as situações são sempre inesperadas.
Resnais escreve, pinta e gesticula com o seu cinema, com a sua câmara. Faz teatro, faz filme caseiro e faz produção da Hollywood clássica, simulando “happy ends” sinfônicos. ERVAS DANINHAS é uma estória de desordem. Um filme não domesticado. Selvagem.
Spoiler Rating: 87
LBC Rating: ~
Por Thiago Stivaletti (UOL), Luiz Carlos Merten (Grupo Estado), Vasco Câmara (Público PT), James Mackenzie (Reuters), Silvana Arantes (Grupo Folha) & Agência AFP

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