


Provavelmente, será inevitável que se diga que MORRER COMO UM HOMEM, produção portuguesa realizada por João Pedro Rodrigues, é um filme sobre relações homossexuais, de temática gay.
Assim é, de fato: O personagem central, Antônio ou “Tonia” (Fernando Santos) é um travesti de meia-idade, um fulgurante ícone da noite lisboeta que convive tanto com seu namorado pós-adolescente, quanto com as idas e vindas de um filho, mas é sobretudo, um homem que ambiciona fazer uma operação de mudança de sexo. Um individuo que deseja apagar todos os vestígios da sua identidade masculina original, que representa tudo o que não pode controlar: A discriminação pela sua homossexualidade, o gênero masculino que deplora no seu corpo, o nome da família que o rejeita e a própria paternidade.
Trata-se de uma história de renascimento… Um filme sobre o caráter mais visceral desse paradoxo. A procura de uma identidade que passa pela sexualidade, mas que, afinal, transcende os sinais mais imediatos do corpo.
Nesta medida, MORRER COMO UM HOMEM desvia-se da crônica de “usos e costumes” para, a pouco e pouco, se instalar numa dimensão genuinamente trágica. É a continuação lógica da filmografia de pulsões sexuais de João Pedro Rodrigues, O FANTASMA (2000) e ODETE (2005).
Spoiler Rating: 75
LBC Rating: ~
Por Eduardo Valente (Cinética), João Lopes (RTP) & Rede AIP

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